Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Sessão da CMBH que avalia emendas ao orçamento tem bate-boca entre vereadores

Discussão sobre política de gênero gerou divergências, sessão será retomada nesta quinta-feira (4)

A discussão da lei do orçamento de 2023, que estabelece a destinação de verbas para diferentes finalidades em Belo Horizonte no ano que vem, ficou para a próxima sessão, após desentendimentos entre os vereadores na sessão de quarta-feira (3).

Os parlamentares não se entenderam durante as análises das emendas e houve muito bate-boca. As maiores divergências ocorreram ao se discutir emendas que dispõe sobre políticas públicas para o combate à violência de gênero e direito à educação de alguns grupos da população.

O vereador Wesley (PP), vice-líder do governo Fuad Noman (PSD) na Câmara e líder da bancada cristã na Câmara, pediu a reprovação das emendas. Ele afirmou que vereadores de esquerda agiam “sorrateiramente” para incluir emendas no orçamento de 2023.

“Defendemos uma política que reduza a violência e criminalidade contra todos. Nenhum brasileiro deve sofrer violência. Defendemos uma política que promova a saúde para todos, todos em vulnerabilidade social e não impondo que apenas um grupo possa gozar desse direito. A esquerda está sorrateiramente, visando incluir em nosso município as políticas de gênero”, afirmou Wesley.

Os autores das emendas reagiram e cobraram apoio para as emendas apresentadas. O vereador Gabriel (sem partido) chegou a bater boca com a presidente da Câmara, Nely Aquino (Podemos).

“Uma vez que você está afirmando que quer políticas intersetoriais que reduzam a violência e criminalidade por preconceitos de gênero, é porque há mulheres que morrem porque são mulheres. E quem vota contra isto, sobretudo vocês mulheres, estão defendendo que não haja uma política municipal para defender mulheres”, disse Gabriel.

Na votação simbólica, quando apenas os vereadores que não concordam com a proposta ficam de pé, a maioria da Câmara ficou de pé. Mas o vereador Gabriel disse que houve um vereador que não deixou claro sua posição e pediu a recontagem, travando a sessão.

A presidente Nely Aquino afirmou que a contagem foi muito clara pela assessoria da Casa. “A contagem foi muito clara, vereador. Te respeito demais e você está me desrespeitando”, afirmou Nely. A vereadora e Gabriel bateram boca e a sessão foi encerrada.

No final das contas, as emendas que causaram discussão entre os vereadores foram rejeitadas. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias e outras emendas retornam à pauta nesta quinta-feira (4).

Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
Leia mais