O presidente Lula (PT) promete vetar o PL da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados nos ataques de 8 de janeiro e na trama golpista. Apurações apontam que o governo federal deve realizar um ato simbólico no dia 8 de janeiro para marcar o posicionamento do presidente contra o projeto.
No entanto, parlamentares da direita se articulam para derrubar os vetos do petista. Isso tudo ocorre após a polêmica de que a base governista teria contribuído para que projeto, defendido pela direita, fosse aprovado no Congresso.
Publicamente, o presidente Lula negou a informação. Porém, interlocutores afirmam que a base governista concordou em votar o texto em troca da aprovação de assuntos importantes para o governo federal. O assunto e os bastidores envolvidos nessa polêmica foram tema da edição deste sábado (3) do programa Palavra Aberta.
Adriano Cerqueira, cientista político, professor do Ibmec-BH e da UFOP, a Universidade Federal de Ouro Preto, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar parcialmente o projeto de lei. “Eu acredito que a tendência é que o Lula deve fazer veto sim. Estou na dúvida se vai ser total ou parcial, tendo a pensar que deve ser parcial, talvez mais concentrado junto aos chamados articuladores dessa também chamada trama golpista e talvez beneficiando aqueles que estavam lá nos atos de 8 de janeiro”, pontua.
O cientista político e professor de pós-graduação da Faculdade Damásio Elias Tavares, contudo, defende que haverá veto total à proposição. “Já não é mais um tema somente estrutural ou de governo, ele entra em uma pauta totalmente política e política partidária, inclusive. Lula, até mesmo para agradar esse eleitorado de esquerda, tem toda essas ações. Eu entendo que caminha para um veto total, justamente pelo fato de estarmos no ano eleitoral e que agora toda pauta se torna simplesmente eleitoreira e política”, argumenta.
Cerqueira, por sua vez, diz que haverá uma clara reação do Congresso Nacional em relação ao veto, com tendência de derrubada da medida que pode ser tomada pelo presidente Lula. “Principalmente na Câmara dos Deputados, mas também no Senado, vai-se agir no sentido de derrubar o veto do presidente Lula. Há uma certa aderência nos partidos mais de centro, centro-direita, com os próprios mais à direita, em relação à essa questão”, pontua.
Tavares ressalta ainda que há um jogo político sendo feito pelo presidente para capitalizar o 8 de janeiro em torno do provável veto. “Não estou dizendo que o país não pudesse relembrar esse dia fatídico, o problema é um partido político querer tomar a bandeira dessa pauta, como se isso fosse da sociedade civil organizada. O problema é que se partidariza a questão”, conclui.