Uso de dipirona em cães pede prescrição e atenção aos riscos da automedicação
A automedicação, mesmo com remédios comuns, representa risco real à saúde do animal e pode atrasar o tratamento correto

A dúvida é comum entre tutores quando estão diante de dor, febre ou mal-estar do pet: é seguro dar dipirona para cachorro? O medicamento, bastante utilizado na medicina humana, também pode ser prescrito na veterinária, mas especialistas alertam que o uso sem orientação profissional pode trazer riscos graves.
Em primeiro lugar, nenhum remédio deve ser administrado a animais por conta própria. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), “substâncias aparentemente seguras para humanos podem causar intoxicação em cães e gatos quando usadas sem prescrição”. A recomendação é procurar atendimento veterinário sempre que houver sinais de dor ou febre.
Além disso, a dose inadequada pode provocar vômitos, queda de pressão, alterações renais e reações alérgicas, especialmente em animais debilitados ou com doenças pré-existentes. Estudos de toxicologia veterinária citam que a segurança do fármaco depende diretamente do acompanhamento clínico e ajuste individualizado.
Outro ponto crítico é a confusão com outros analgésicos humanos. O CFMV reforça que medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco e paracetamol podem ser altamente tóxicos para pets, o que aumenta o risco quando os tutores tentam substituir a dipirona por conta própria.
Quando a dipirona pode ser usada em cães? A Itatiaia listou os pontos mais importantes:
- Somente com prescrição veterinária, conforme orientação do CFMV.
- Em casos de dor leve a moderada ou febre, quando indicada clinicamente.
- Com dose calculada pelo peso e estado de saúde do animal.
- Evitando uso em pets com doença renal, hepática ou hipotensão sem avaliação médica.
- Nunca substituindo consulta veterinária, alerta a Anclivepa Brasil.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



