Projeto prevê áreas para pets em cemitérios e autoriza enterro em jazigos familiares

Proposta reflete a transformação do papel dos animais, ao tratar o sepultamento e a memória dos pets como questão de afeto, saúde pública e dignidade familiar

O texto assegura às famílias o direito de preservar a memória dos animais sepultados, inclusive com incentivo à criação de memoriais físicos ou digitais

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF) propõe mudanças significativas na forma como o Brasil lida com o luto por animais de estimação. A proposta determina que cemitérios públicos e privados reservem alas específicas para sepultamento de pets e também autoriza que cães e gatos possam ser enterrados no mesmo jazigo de seus tutores, desde que haja consentimento dos demais responsáveis e cumprimento de exigências sanitárias.

De autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), o texto parte do reconhecimento de que os animais passaram a ocupar um lugar central nas famílias brasileiras. Segundo o parlamentar, a medida busca preservar “a dignidade, a memória e o respeito aos vínculos afetivos entre humanos e seus animais de companhia”.

Ele argumenta ainda que permitir o sepultamento conjunto responde a uma demanda crescente das famílias que desejam manter a lembrança dos pets próxima aos demais entes queridos.

A proposta estabelece regras técnicas para evitar riscos sanitários. Entre elas, estão a exigência de declaração de óbito emitida por médico-veterinário e o acondicionamento adequado do corpo, conforme normas que deverão ser definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por órgãos ambientais.

O objetivo é garantir segurança ambiental e impedir práticas irregulares, já que a ausência de locais apropriados pode levar ao descarte inadequado de corpos de animais, situação que, segundo o autor do projeto, gera “sérios riscos ambientais”.

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Outro ponto central é o reconhecimento do luto. O texto assegura às famílias o direito de preservar a memória dos animais sepultados, inclusive com incentivo à criação de memoriais físicos ou digitais. Caso a proposta avance, todos os cemitérios do país terão prazo de 24 meses para reservar áreas destinadas exclusivamente ao sepultamento de pets.

A discussão ocorre em paralelo a iniciativas já adotadas em nível estadual. Em São Paulo, por exemplo, lei recente passou a autorizar o enterro de cães e gatos em jazigos familiares, reconhecendo formalmente o vínculo afetivo entre tutores e animais.

A Itatiaia destacou o que prevê o projeto em análise na Câmara:

  • Criação obrigatória de alas específicas para sepultamento de pets em cemitérios públicos e privados.
  • Possibilidade de enterro conjunto em jazigos familiares, com consentimento dos responsáveis.
  • Exigência de declaração veterinária e normas sanitárias para evitar contaminação ambiental.
  • Reconhecimento do direito das famílias ao luto e à memória dos animais.
  • Prazo de 24 meses para adaptação dos cemitérios em todo o país.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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