Após anistia, Reinaldo fala em reparação moral e memória histórica

Ex-jogador do Atlético teve pedido aprovado e diz que Estado deve enfrentar os erros da ditadura

Reinaldo e sua comemoração típica após mais um gol pelo Atlético

“Acima de tudo, trata-se de um ato simbólico e de uma reparação moral. Os prejuízos do passado não podem ser desfeitos, mas é essencial que o Estado encare sua história de frente, sem fingir que nada aconteceu…” A afirmação do ex-atacante Reinaldo resume o significado que ele atribui à anistia publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (12) pelo governo federal.

Ídolo do Atlético Mineiro e maior artilheiro da história do clube, Reinaldo teve reconhecida a perseguição política sofrida durante o regime militar e se tornou o primeiro jogador de futebol anistiado no Brasil. A oficialização da anistia confirma a decisão unânime da Comissão Nacional de Anistia, tomada em 2 de dezembro.

Durante a ditadura (1964-1985), Reinaldo se opôs ao regime e expressava sua resistência em campo com os punhos erguidos - gesto associado ao movimento dos Panteras Negras e símbolo de luta contra o racismo e a repressão. Na época, ele chegou a ser preterido da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982 em função de sua postura.

Com a publicação da anistia, o Estado reconhece que houve punição indevida e prevê indenização ao ex-atleta. Reinaldo disse que o reconhecimento vai além de um benefício individual e representa um passo importante para que o país reflita sobre seus erros e impeça que os mesmos equívocos se repitam.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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