“Acima de tudo, trata-se de um ato simbólico e de uma reparação moral. Os prejuízos do passado não podem ser desfeitos, mas é essencial que o Estado encare sua história de frente, sem fingir que nada aconteceu…” A afirmação do ex-atacante Reinaldo resume o significado que ele atribui à anistia
Ídolo do Atlético Mineiro e maior artilheiro da história do clube, Reinaldo teve reconhecida a perseguição política sofrida durante o regime militar e se tornou o primeiro jogador de futebol anistiado no Brasil. A oficialização da anistia
Durante a ditadura (1964-1985), Reinaldo se opôs ao regime e expressava sua resistência em campo com os punhos erguidos - gesto associado ao movimento dos Panteras Negras e símbolo de luta contra o racismo e a repressão. Na época, ele chegou a ser preterido da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982 em função de sua postura.
Com a publicação da anistia, o Estado reconhece que houve punição indevida e prevê indenização ao ex-atleta. Reinaldo disse que o reconhecimento vai além de um benefício individual e representa um passo importante para que o país reflita sobre seus erros e impeça que os mesmos equívocos se repitam.