Temporal em Juiz de Fora: prefeitura resgata 35 animais em áreas de risco e faz alerta

O trabalho, coordenado por órgãos de zoonoses e proteção animal, foca na triagem de feridos e no acolhimento temporário daqueles que perderam seus lares durante o temporal

O resgate de animais em desastres exige cuidados específicos para evitar ataques por medo ou a transmissão de doenças

As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, na Zona da Mata, e outras áreas de Minas, mobilizaram equipes de resgate não apenas para o salvamento de pessoas, mas também para o socorro de animais domésticos e silvestres.

Até o momento, a prefeitura de Juiz de Fora local confirmou o resgate de 35 animais que ficaram desabrigados ou em situação de vulnerabilidade após os alagamentos e deslizamentos que atingiram diversos bairros. O trabalho, coordenado por órgãos de zoonoses e proteção animal, foca na triagem de feridos e no acolhimento temporário daqueles que perderam seus lares durante o temporal.

O resgate de animais em desastres exige cuidados específicos para evitar ataques por medo ou a transmissão de doenças. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em situações de inundação, o risco de leptospirose e doenças dermatológicas aumenta drasticamente devido ao contato direto com a água contaminada e a lama.

“O animal resgatado deve passar por uma avaliação clínica imediata para identificar traumas internos e sinais de exaustão térmica ou desidratação”, orientam os protocolos de medicina de desastres.

Para os tutores que vivem em áreas de risco em Minas Gerais, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros reforçam a importância de incluir os pets no plano de evacuação da família. Segundo manuais da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), deixar animais acorrentados ou presos em canis fechados durante alertas de temporal é um erro crítico que impede qualquer chance de sobrevivência em caso de enxurradas.

A recomendação oficial é que, ao primeiro sinal de inundação, o animal seja colocado em uma caixa de transporte ou mantido na guia para uma saída rápida e segura.

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A Itatiaia listou alguns cuidados que os tutores devem com pets em áreas de enchente, alagamentos e deslizamentos:

  • Animais que tiveram contato com água de enchente devem ser monitorados por risco de Leptospirose. Fique atento a sintomas como vômito, febre e urina escura.
  • Em épocas de chuva, mantenha uma coleira com placa de identificação e telefone no pescoço do pet. Isso facilita a devolução em caso de fuga por susto.
  • Kit de Emergência: tenha sempre à mão uma “mochila de emergência” com ração para três dias, coleira reserva e cópia da carteira de vacinação.
  • Não acorrente o pet. Nunca deixe o animal preso se houver risco de alagamento. O acorrentamento impede a fuga e configura crime de maus-tratos em situações de risco negligenciado.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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