Saiba o que fazer com pets que ‘travam’ ao usar o cone e como ajudá-los a se adaptar

Acessório pode fazer pets pararem de comer e andar ou demonstrarem sinais de depressão; bem-estar depende de um ambiente adaptado que minimize a frustração sensorial

Retire objetos pequenos e móveis do caminho principal do pet para evitar que ele bata o cone e sinta dor no pescoço pelo impacto

A cena é comum e angustiante para muitos tutores: após uma cirurgia, o cão recebe o colar elizabetano, o famoso cone, e imediatamente “trava”. Muitos animais param de comer, recusam-se a andar ou demonstram sinais de depressão profunda; alguns podem ficar imóveis por horas.

Esse quadro, conhecido como estresse de contenção, pode dificultar a recuperação pós-operatória, mas por outro lado, a retirada precoce do acessório oferece riscos letais, como a abertura dos pontos e infecções graves causadas pelas bactérias da boca do animal.

De acordo com as diretrizes de manejo de dor e estresse da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), o bem-estar do pet que é paciente cirúrgico depende de um ambiente adaptado que minimize a frustração sensorial dele.

“O colar muda a percepção espacial e a audição do animal, o que pode gerar ansiedade e desorientação. O segredo está na adaptação gradual e na facilitação das atividades básicas, como alimentação e descanso”, apontam os manuais técnicos de comportamento da instituição. A recomendação é que o acessório nunca seja retirado sem supervisão direta, principalmente nos primeiros sete dias.

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Para suavizar o impacto, o enriquecimento ambiental e ajustes na rotina são fundamentais. De acordo com a WSAVA, o tutor deve elevar as vasilhas de água e comida, já que a borda do cone impede o acesso ao chão. Além disso, remover obstáculos da casa, como tapetes que escorregam ou móveis muito próximos, ajuda o cão a circular sem esbarrar nas paredes. Isso irá reduzir o susto e o medo de se movimentar.

O uso de reforço positivo, com palavras de incentivo, carinho ou petiscos, ajuda o pet a associar o acessório a um período de cuidado e não de punição.

Em caso de tutores de pets que em breve passarão por cirurgia, a Itatiaia listou as principais dicas para o cão aceitar o cone:

  • Antes mesmo do procedimento, eleve as vasilhas de água e comida ou use pratos mais estreitos que caibam dentro da circunferência do colar para facilitar a alimentação.
  • Retire objetos pequenos e móveis do caminho principal do pet para evitar que ele bata o cone e sinta dor no pescoço pelo impacto.
  • Limpe o interior do cone diariamente com um pano úmido e álcool 70%. O acúmulo de saliva e restos de comida pode causar dermatites no pescoço do pet.
  • Você pode retirar o cone apenas para o momento da refeição ou em passeios curtos na guia, desde que tenha recomendação veterinária e mantenha os olhos no animal 100% do tempo.
  • Nunca deixe o cão dormir sem o cone antes da liberação veterinária. A maioria das automutilações ocorre durante a noite, quando o tutor está dormindo.
  • Se o estresse for extremo, consulte o veterinário sobre o uso de colares infláveis ou roupas cirúrgicas, que são menos invasivos para a visão e audição.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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