Pets também entram em "modo férias"? Dicas para aproveitar o período de descanso
Cães acostumados a passeios curtos, por exemplo, precisam de adaptação antes de caminhadas longas ou dias inteiros fora de casa

Nas férias, a casa muda de ritmo. Os humanos passam mais tempo por perto, os horários ficam menos rígidos, os passeios podem durar mais e até pequenos programas em família passam a incluir os pets. Para os cães e gatos, esse período é uma oportunidade de mais convivência, estímulo e vínculo, mas é fundamental que algumas referências da rotina sejam preservadas.
Manter o horário das refeições e dos momentos de descanso, por exemplo, contribui para que o pet aproveite as novidades sem perder completamente as referências do dia a dia.
Segundo Marcella Vilhena, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal, a previsibilidade da rotina ajuda o animal a antecipar o que vai acontecer ao longo do dia, o que reduz respostas de alerta e favorece a adaptação aos novos estímulos.
“Quando o pet consegue reconhecer alguns pontos fixos, como o momento da alimentação ou do descanso, ele tende a se sentir mais seguro para explorar novidades. Isso é especialmente importante nas férias, quando a casa pode ficar mais movimentada e os responsáveis mudam seus próprios horários”, explica.
No caso dos cães, o período costuma abrir espaço para atividades que nem sempre cabem na rotina habitual, como caminhadas mais longas, brincadeiras ao ar livre, viagens curtas ou dias em parques, sítios e praias.
Um cão que está acostumado a passeios curtos, por exemplo, pode precisar de adaptação antes de acompanhar caminhadas prolongadas ou dias inteiros fora de casa. Idade, porte, condicionamento físico, temperatura ambiente e histórico de saúde ajudam a definir o ritmo mais adequado para que a experiência seja positiva.
“Quando o pet passa a se movimentar mais nas férias, o responsável precisa observar a resposta do animal. Disposição, respiração, interesse pela atividade e recuperação após o passeio ajudam a entender se aquele ritmo está confortável”, orienta Marcella.
Em momentos de maior atividade, além da dieta habitual, petiscos próprios para cães podem ser usados como recompensa, apoio em treinos, incentivo durante passeios ou parte da interação com o responsável.
Ainda com foco na alimentação, é importante evitar que os animais tenham acesso a alimentos impróprios. Durante viagens, almoços em família ou dias de maior circulação pela casa, preparações temperadas, gordurosas ou muito condimentadas podem causar desconforto digestivo.
Alguns ingredientes, como chocolate, uva, uva-passa, cebola, alho e bebidas alcoólicas, representam risco para cães e gatos e não devem ser oferecidos.
Para os gatos, o período de férias pode ser positivo justamente pela presença contínua do responsável em casa. Muitos pets aproveitam momentos de brincadeira, escovação, descanso compartilhado ou companhia silenciosa no ambiente. Esse contato extra pode enriquecer a rotina e fortalecer o vínculo, desde que respeite o tempo e os limites do animal.
A diferença é que os felinos costumam se orientar muito pelo território. Cheiros conhecidos, locais de descanso, esconderijos, caixa de areia, potes e rotas pela casa fazem parte da sensação de segurança. Por isso, visitas frequentes, barulho, reorganização do ambiente ou deslocamentos devem ser conduzidos com mais cuidado.
“Para os gatos, interação não precisa significar excesso de estímulo. Brincadeiras curtas, previsíveis e respeitosas costumam ser mais eficientes do que mudanças intensas na rotina. O responsável pode aproveitar as férias para enriquecer o ambiente, oferecer atividades e fortalecer o vínculo, mas sempre observando se o animal está confortável”, explica Marcella.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



