Férias de julho aumentam o abandono de animais; saiba por quê e como denunciar
Tema ganha força com o ‘Julho Dourado’, uma campanha nacional que conscientiza sobre a saúde animal e combate os maus-tratos

A chegada das férias escolares traz um alerta preocupante para ONGs e protetores: o aumento no número de animais abandonados. Os meses de julho e dezembro registram os maiores picos desse crime no Brasil, período em que muitas famílias viajam ou mudam de casa.
O tema ganha força com o "Julho Dourado", uma campanha nacional que conscientiza sobre a saúde animal e combate os maus-tratos.
Dados da Agência Brasil mostram a gravidade do cenário: o país tem cerca de 30 milhões de animais abandonados (20 milhões de cães e 10 milhões de gatos). O levantamento aponta que, para cada animal adotado, outros dois são deixados nas ruas. Com isso, os abrigos ficam superlotados, enfrentando uma alta de até 92% na entrada de novos bichos nesses meses críticos.
Por que o abandono aumenta nas férias?
O advogado especialista em Direito Animal, Leandro Petraglia, explica que as dificuldades para viajar com os pets pesam nessa hora. As restrições e exigências das companhias aéreas para o transporte de animais, por exemplo, muitas vezes inviabilizam a viagem em família. Juntando isso a mudanças de residência, o abandono acaba acontecendo.
Porém, o especialista lembra que nenhuma dificuldade justifica o ato. Abandonar animais é crime no Brasil.
"O abandono é considerado maus-tratos pela Lei de Crimes Ambientais. A punição para quem comete esse crime contra cães e gatos é severa, podendo chegar a cinco anos de prisão", afirma Petraglia.
O impacto do abandono vai muito além do sofrimento do animal e atinge toda a sociedade. Animais soltos nas ruas, sem castração ou vacinas, aumentam o risco de transmissão de doenças para os humanos (zoonoses) e geram um problema de saúde coletiva.
A denúncia é a melhor ferramenta para punir quem comete o crime. O especialista orienta como agir:
- Flagrante: se o abandono estiver acontecendo naquele momento, ligue imediatamente para a Polícia Militar pelo 190 para interromper a ação.
- Casos antigos ou contínuos: registre a denúncia em delegacias especializadas ou canais digitais de proteção animal.
- Provas: junte o máximo de provas possível, como fotos, vídeos, contatos de testemunhas e, se houver, um laudo do veterinário.
Para o advogado, campanhas como o Julho Dourado são importantes, mas o poder público precisa agir de forma fixa. O enfrentamento do problema exige medidas integradas, como ampliação de programas gratuitos de castração, uso de microchips para identificar os donos dos animais, criação e fortalecimento de hospitais veterinários públicos e delegacias de proteção e apoio jurídico para famílias de baixa renda que têm pets.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



