Metade dos brasileiros evita falar sobre o envelhecimento dos pets, aponta estudo
De acordo com pesquisa, responsáveis adiam cuidados preventivos relacionados à longevidade saudável de gatos e cães

O envelhecimento dos animais de estimação ainda é um assunto delicado para muitos brasileiros. Esse foi um dos achados de uma pesquisa realizada com mil tutores de cães e gatos no Brasil, encomendada pela Royal Canin e conduzida pela Censuswide.
O levantamento mostrou que essa percepção pode influenciar diretamente a forma como os responsáveis cuidam da saúde dos pets ao longo da vida.
Os dados indicam que a dificuldade em abordar o envelhecimento está ligada principalmente ao aspecto emocional. Entre os entrevistados que evitam falar sobre o tema, 67% afirmam que pensar no assunto causa tristeza, enquanto 38,7% dizem não enxergar o animal como idoso por considerá-lo um membro da família.
Além disso, 63% demonstram receio de não conseguir oferecer os cuidados necessários na velhice do pet, e 32% acreditam, de forma equivocada, que não há medidas capazes de minimizar os impactos do avanço da idade.
O tema ganha ainda mais relevância porque muitos animais adotados durante a pandemia de Covid-19 estão chegando agora à meia-idade. Estudos científicos recentes, desenvolvidos com apoio do Royal Canin Research Center, indicam que esse período (geralmente entre seis e oito anos para gatos e entre cinco e sete anos para cães) representa uma fase decisiva para a saúde futura, quando alterações fisiológicas discretas, como mudanças no metabolismo, na composição corporal, na função cognitiva e na mobilidade, começam a ocorrer silenciosamente.
Apesar de 61,2% dos tutores afirmarem levar seus animais para consultas de rotina e 38,5% procurarem atendimento ao perceber mudanças de comportamento, um em cada quatro entrevistados aponta o custo dos serviços veterinários como um obstáculo para agir preventivamente.
Como muitos relacionam o envelhecimento apenas ao aparecimento de sintomas evidentes, acabam perdendo a oportunidade de adotar medidas preventivas no momento em que elas podem trazer maior benefício.
"O envelhecimento de nossos pets começa antes do que muitos de nós imaginamos, frequentemente durante a metade da vida, quando gatos e cães ainda parecem perfeitamente saudáveis e cheios de energia. Como Médicos-Veterinários e também como responsáveis por eles, sabemos como é fácil focar no presente quando os animais estão bem e o quanto pensar neles chegando à maturidade pode ser angustiante. No entanto, iniciar check-ups e conversas de forma preventiva é a chave para garantir não apenas uma vida mais longa, mas com mais qualidade e saúde", afirma a médica-veterinária e gerente de comunicação e assuntos científicos da Royal Canin Brasil, Priscila Rizelo.
Longevidade
Nesse cenário, especialistas destacam o conceito de longevidade saudável, cada vez mais presente na medicina veterinária.
A proposta é ampliar o tempo de vida dos animais com saúde e qualidade, antes do desenvolvimento de doenças crônicas ou da perda da capacidade funcional. Para isso, fatores como alimentação adequada, controle do peso, prática de atividade física, acompanhamento veterinário periódico e intervenções precoces são considerados fundamentais.
Ainda assim, o levantamento mostra que as maiores preocupações dos tutores continuam voltadas às consequências do envelhecimento, e não à prevenção. O câncer aparece como o principal temor para 42,5% dos entrevistados, seguido por problemas de mobilidade e articulações (28,9%) e doenças renais (11,3%). Para os especialistas, esse cenário reforça a importância de investir em cuidados preventivos já na meia-idade dos animais.
A pesquisa aponta uma mudança gradual de percepção entre os brasileiros. Quando questionados sobre os fatores que mais influenciam a qualidade de vida dos pets na maturidade, 35,2% citaram a alimentação específica e 34,1% destacaram a realização de check-ups regulares.
Além disso, 46,6% afirmaram que compreender o processo de envelhecimento é essencial. O estudo ainda mostra que muitos tutores estão dispostos a adaptar a rotina familiar para oferecer melhores cuidados aos animais, incluindo levá-los com mais frequência em suas atividades (51,7%), reduzir o tempo dedicado ao lazer fora de casa (39,9%), passar as férias em casa (25,2%), cancelar viagens (15,5%) e até considerar uma mudança de residência para atender às necessidades do pet (27,9%).
O levantamento evidencia ainda a força do vínculo afetivo entre brasileiros e seus animais de estimação. Mais da metade dos entrevistados comemora todos os anos a idade dos pets (50,4%), enquanto 77,7% compram presentes nessas ocasiões, com gasto médio de R$ 178,93. Além disso, 57,5% consideram os animais como um filho ou irmão, e 36% afirmam gastar mais com presentes para os pets do que para parceiros ou outros familiares.
"À medida que uma grande geração dos chamados 'pets da pandemia' chega à meia-idade, temos uma oportunidade única de mudar a forma como encaramos o envelhecimento. Ele não deve ser visto como o início dos problemas, mas como um convite para agir de forma preventiva. Quanto mais cedo começamos a cuidar da saúde dos nossos pets, maiores são as chances de proporcionar mais anos de vida com qualidade. Esse é o verdadeiro significado da longevidade saudável”, reforça Priscila.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



