Cães e gatos: forma de cuidar do envelhecimento mudou e pode aumentar a qualidade de vida
O foco deixou de ser apenas fazer os animais viverem mais tempo e passou a priorizar saúde, autonomia e bem-estar ao longo da vida

Nos últimos anos, a medicina veterinária começou a mudar a maneira como encara o envelhecimento de cães e gatos. Em vez de concentrar esforços apenas em prolongar a vida dos animais, pesquisadores defendem um novo conceito chamado longevidade saudável, que busca garantir que os pets vivam mais anos com disposição, independência e qualidade de vida.
A proposta foi destacada em uma pesquisa publicada pela revista New Scientist, reunindo especialistas que estudam os mecanismos do envelhecimento animal e as formas de retardar seus efeitos antes mesmo que os primeiros sinais apareçam.
Segundo a médica veterinária Tanya Schoeman, a questão não é apenas quanto tempo um animal vive, mas quantos desses anos são vividos com bem-estar. "Não se trata apenas de quantos anos vivem, mas de quantos desses anos os vivem com bem-estar, resiliência e capacidade funcional."
Esse novo olhar considera que envelhecer não é uma doença, mas um processo natural do organismo. Por isso, o objetivo passa a ser preservar a saúde física e funcional dos cães e gatos pelo maior tempo possível, reduzindo o impacto das alterações típicas da idade.
Os estudos mostram que diversos processos biológicos contribuem para o envelhecimento dos animais. Entre eles estão mudanças epigenéticas, acúmulo de células envelhecidas e a perda gradual da eficiência das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia nas células.
Para os pesquisadores, a grande oportunidade está em agir antes que essas alterações provoquem sintomas perceptíveis. A ideia é manter os animais em uma condição estável de saúde e resistência durante boa parte da vida.
Outros fatores também têm chamado a atenção da comunidade científica. Alterações na microbiota intestinal, inflamação crônica de baixa intensidade, conhecida como 'inflammaging,' e a redução da capacidade do organismo de reconhecer nutrientes estão associados ao surgimento de doenças articulares, cardíacas, renais e até alguns tipos de câncer em cães e gatos.
O termo 'inflammaging,' une as palavras inglesas inflammation (inflamação) e aging (envelhecimento), e é utilizado para descrever um estado de inflamação crônica de baixo grau, sistêmica e assintomática, que se desenvolve conforme o animal envelhece.
O excesso de peso é outro ponto de preocupação. As pesquisas indicam que animais que permanecem acima do peso ideal ao longo da vida apresentam maior risco de desenvolver doenças e tendem a viver menos. Além disso, mudanças na flora intestinal também vêm sendo relacionadas ao declínio cognitivo observado em animais idosos.
O médico veterinário Brennen McKenzie destaca que ampliar o período de longevidade saudável representa a principal forma de aumentar o tempo de vida dos pets. Isso porque, diferentemente do que ocorre com os seres humanos, muitos animais chegam ao fim da vida por meio da eutanásia quando a perda de qualidade de vida se torna irreversível.
Os especialistas também chamam atenção para a importância da conscientização dos tutores. Uma pesquisa realizada com mais de 19 mil pessoas em 18 países revelou que 44% dos entrevistados só começam a pensar no envelhecimento de seus animais quando os sinais já são evidentes. Além disso, 38% acreditam que não existe nenhuma forma de interferir nesse processo.
Para os pesquisadores, essa percepção precisa mudar. Quanto mais cedo os cuidados preventivos forem incorporados à rotina dos cães e gatos, maiores são as chances de preservar sua saúde, mobilidade e bem-estar durante o envelhecimento.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



