Belo Horizonte
Itatiaia

Pet gordinho? Veja 4 dicas e cuidados para um emagrecimento seguro

Reduzir a alimentação do pet de forma abrupta sem orientação médica é perigoso, segundo especialistas

Por
Buldogue inglês vestindo um lanço no pescoço e sentado na grama, com a boca aberta e a língua para fora.
Estima-se que mais da metade da população de cães e gatos mundial esteja acima do peso ideal, o que reduz drasticamente a expectativa e a qualidade de vida dos animais • Freepik

A silhueta arredondada e as dobrinhas extras podem parecer charmosas à primeira vista, mas a obesidade em animais de estimação é um problema de saúde grave. Estima-se, de acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), que mais da metade da população de cães e gatos mundial esteja acima do peso ideal, o que reduz drasticamente a expectativa e a qualidade de vida dos animais.

O primeiro passo é entender que o emagrecimento pet não deve ser baseado em dietas milagrosas ou na simples redução drástica da quantidade de comida por conta própria. Fazer isso pode causar desnutrição e problemas sérios, como a lipidose hepática em felinos.

"A perda de peso em cães e gatos deve ser gradual. Reduzir a alimentação de forma abrupta sem orientação médica é perigoso. O metabolismo deles funciona de maneira diferente do nosso, e a privação extrema pode sobrecarregar órgãos vitais", alerta Mariana Silva, médica veterinária especialista em nutrição animal, em entrevista recente ao Saúde Pet.

Passo a passo para o peso ideal

Para garantir que o processo seja saudável, o manejo deve unir readequação alimentar e estímulo físico. Confira as diretrizes fundamentais pesquisadas pela Itatiaia:

  • Consulta veterinária prévia: antes de qualquer mudança, o pet precisa de exames de sangue e avaliação cardíaca para descartar doenças endócrinas, como o hipotireoidismo.
  • Cálculo calórico preciso: o profissional irá determinar a quantidade exata de calorias que o animal precisa ingerir por dia, utilizando rações coadjuvantes específicas para o controle de peso (geralmente ricas em fibras e proteínas, e baixas em gorduras).
  • Fracionamento das refeições: dividir a quantidade diária em três ou quatro porções ajuda a manter o metabolismo ativo e reduz a ansiedade do animal.
  • Exercícios graduais: o aumento da atividade física deve ser progressivo. Comece com caminhadas leves nos horários mais frescos do dia e aumente o tempo aos poucos.

O Manual de Nutrição Clínica de Cães e Gatos da Associaton of American Feed Control Officials (AAFCO) reforça em suas diretrizes oficiais que "o sucesso do manejo da obesidade depende do monitoramento contínuo. A perda de peso segura deve girar entre 1% e 2% do peso corporal total por semana para cães, e de 0,5% a 1% para gatos".

Além da ração correta, o enriquecimento ambiental também é crucial. Para os felinos, brinquedos que estimulam o instinto de caça e comedouros lentos são excelentes aliados. Para os cães, brincadeiras com bolinhas e circuitos de obstáculos ajudam a queimar calorias de forma divertida.

E mais uma dica: lembre-se que demonstrar afeto não significa oferecer petiscos. Troque os agrados calóricos por saches específicos de baixa caloria, pedaços de vegetais permitidos (como chuchu ou cenoura cozidos em água) ou, melhor ainda, por momentos extra de atenção e carinho.

Por

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.