Família cria búfalos há quase 40 anos e surpreende visitantes com animais dóceis
Criação de búfalos em Pomerode (SC) começou com filhotes órfãos e hoje reúne animais que conquistam adultos e crianças, além de duas búfalas albinas

Uma história iniciada quase por acaso há cerca de 38 anos se transformou em uma tradição familiar em Pomerode, em Santa Catarina. A família Volkmann mantém uma criação de búfalos que atravessa gerações e ajuda a mudar a imagem de que esses animais são necessariamente agressivos.
Tudo começou quando Klaus Dieter Volkmann encontrou um caminhão com búfalos que havia chegado a um frigorífico. Entre os animais estavam alguns filhotes órfãos. Sensibilizado com a situação, ele decidiu adotá-los. "Eu adotei esses búfalos pequenos e comecei o meu plantel", lembra Klaus.
Ao longo dos anos, a criação chegou a ter mais de 35 fêmeas reprodutoras e dois machos. Atualmente, são 12 búfalos, todos nascidos na propriedade. A filha de Klaus, Julia Volkmann Siewerdt, cresceu convivendo com os animais e hoje também participa da divulgação da criação e das exposições agropecuárias. As informações são do portal Testo Notícias.
Respeito aos animais
Segundo Klaus, a fama de que os búfalos são animais agressivos está relacionada à maneira como eram tratados no passado. Para ele, o respeito aos limites dos animais é fundamental para construir uma relação tranquila.
"Lá atrás eles ganharam fama de agressivos por serem animais rústicos. Mas, quando você aprende a lidar com eles e respeita os limites deles, eles são mais dóceis do que qualquer outro animal."
Julia conta que o contato com as pessoas começa ainda quando os búfalos são pequenos. Durante as exposições, crianças podem se aproximar e fazer carinho nos animais.
"Eles crescem em contato com as pessoas desde pequenos. Nas exposições, as crianças fazem carinho, colocam a mão neles, e eles ficam completamente tranquilos."
Mesmo com toda essa tranquilidade, os animais continuam sendo fortes. Um macho adulto pode ultrapassar 900 quilos. Por isso, Klaus reforça que o manejo deve ser baseado no respeito.
"O segredo é nunca usar agressividade. Quanto mais agressivo você for com um búfalo, mais ele vai reagir. Se você respeita o espaço dele, ele respeita você também", resume.
Duas búfalas albinas chamam atenção
A criação ganhou ainda mais destaque recentemente com o nascimento de duas búfalas albinas. Com a coloração muito clara, elas se tornaram uma das principais atrações do rebanho durante as exposições das quais a família participa. "Nunca tivemos animais tão claros assim."
Segundo a família, a característica surgiu após anos de manejo genético cuidadoso, com atenção para evitar cruzamentos entre animais aparentados.
Para Julia, muitas pessoas chegam às exposições esperando encontrar animais bravos, mas mudam de opinião depois do contato. "As pessoas esperam encontrar um animal selvagem. Quando descobrem que eles são tranquilos e retribuem o carinho, acabam se encantando."
Criação virou tradição familiar
Os búfalos fazem parte da rotina da família Volkmann e também das memórias de Julia. Quando criança, ela acompanhava os animais durante desfiles da Festa Pomerana.
"Quando eu era criança, alguém conduzia os búfalos na corda e nós íamos sentados em cima deles durante o desfile. Foi assim que a nossa proximidade com eles começou", conta.
Na propriedade, os animais também contam com um espaço para permanecer na água. Uma grande poça, formada com a participação dos próprios búfalos e abastecida pela chuva, virou uma espécie de piscina para o rebanho.
Depois de tantos anos, Klaus afirma que a maior recompensa não está apenas na criação ou nas exposições, mas na relação construída diariamente com os animais. "O maior retorno é o carinho que eles dão para a gente."
Para quem ainda tem receio de se aproximar de um búfalo, a família deixa uma mensagem: "Não precisa ter medo. Vá com respeito e carinho. Eles vão retribuir exatamente da mesma forma."
A história da família Volkmann mostra como uma criação iniciada quase quatro décadas atrás acabou se transformando em uma tradição compartilhada entre gerações e em uma oportunidade de apresentar ao público um lado pouco conhecido dos búfalos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



