Por que a China enviou pandas aos Estados Unidos? Ação ocorreu pós encontro entre Trump e Xi Jinping
O casal Ping Ping e Fu Shuang foi enviados ao Zoo Atlanta em meio à tentativa de reduzir tensões entre China e Estados Unidos, além de integrarem um programa de conservação da espécie

Dois pandas-gigantes chineses chegaram a Atlanta, nos Estados Unidos, no domingo (27), em um momento de aproximação diplomática entre os dois países. Ping Ping, um macho de 6 anos, e Fu Shuang, uma fêmea de 5 anos, foram enviados ao Zoo Atlanta como parte da chamada "diplomacia dos pandas", tradição mantida por Pequim há décadas.
A chegada ocorreu apenas um dia depois do fim da visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington. Durante o encontro com o presidente americano, Donald Trump, os dois governos trataram das tensões comerciais e tecnológicas entre China e Estados Unidos. Também foi prorrogada uma trégua comercial e acertada a criação de uma linha direta sobre inteligência artificial.
Uma viagem de quase 16 horas
Os pandas partiram da Base de Pesquisa e Criação de Pandas-Gigantes de Chengdu, na província chinesa de Sichuan. A viagem até Atlanta durou cerca de 16 horas e foi realizada em um Boeing 777 da FedEx, apelidado de "FedEx Panda Express".
Os animais viajaram em caixas especialmente preparadas e tiveram como companhia bambu fresco, água e seus petiscos favoritos. Após desembarcarem no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, foram levados em caminhões da FedEx, com escolta policial, até o zoológico.
Antes da viagem, Ping Ping e Fu Shuang passaram aproximadamente um mês em quarentena e foram treinados para se adaptar às caixas de transporte e aos ruídos intensos durante o voo.
Eles também ficarão inicialmente em quarentena no Zoo Atlanta, em uma área biossegura do novo complexo destinado aos pandas. A previsão é que permaneçam no zoológico por 10 anos.
Por que a China envia pandas aos Estados Unidos?
O empréstimo de pandas é uma tradição chinesa que existe há mais de meio século. Os animais passaram a ser utilizados como uma espécie de símbolo de amizade e aproximação entre a China e outros países.
A prática ganhou destaque em 1972, quando o então presidente americano Richard Nixon visitou a China. Desde então, pandas foram enviados a diferentes zoológicos estrangeiros em acordos que envolvem tanto relações diplomáticas quanto ações de conservação.
Durante sua visita aos Estados Unidos, Xi Jinping chamou o panda-gigante de "embaixador da amizade" entre chineses e americanos, em referência aos mais de 50 anos em que esses animais viveram em zoológicos dos EUA por meio de acordos com o governo chinês.
O número de pandas nos Estados Unidos também acompanhou momentos diferentes da relação entre os dois países. Atualmente, seis animais vivem em zoológicos americanos, número inferior ao recorde de 15 pandas registrado cerca de uma década atrás.
Quem são Ping Ping e Fu Shuang?
Ping Ping nasceu em 17 de março de 2020 e recebeu um nome que significa "paz". Segundo as autoridades chinesas, ele se destaca pela habilidade para escalar árvores.
Fu Shuang nasceu em 18 de outubro do mesmo ano e seu nome pode ser traduzido como "dupla bênção".
A escolha dos dois animais foi feita pelos tratadores chineses levando em consideração fatores como idade, saúde, genética e personalidade. A expectativa é que eles consigam se adaptar um ao outro e, eventualmente, se reproduzir.
"Esperamos que eles gostem um do outro e, com sorte, consigam acasalar naturalmente", afirmou Li Mingxi, vice-diretor do parque de Chengdu, à emissora estatal chinesa CCTV.
Objetivo também é aumentar a população de pandas
Além do aspecto diplomático, a presença dos pandas em Atlanta está ligada à conservação da espécie.
Os pandas-gigantes já ocuparam áreas muito maiores na China, além de regiões do norte de Mianmar e do Vietnã. Com a redução de seus habitats provocada pela expansão humana e pelas mudanças climáticas, a espécie passou a depender de programas de conservação.
Atualmente, cerca de 1.900 pandas vivem na natureza, distribuídos por seis cadeias montanhosas acima da bacia de Sichuan. A espécie, que anteriormente era classificada como ameaçada de extinção, passou a ser considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza em 2016.
A reprodução em cativeiro também é um desafio. As fêmeas ficam no cio por apenas um a três dias por ano, o que torna cada oportunidade de reprodução especialmente importante para os programas de conservação.
Ping Ping e Fu Shuang foram selecionados justamente com a possibilidade de formar um casal reprodutivo no Zoo Atlanta.
Despedida emocionou tratadores na China
A transferência também foi marcante para os profissionais que cuidaram dos animais desde pequenos.
Uma das cuidadoras de Fu Shuang afirmou que a despedida foi difícil depois de acompanhar o crescimento da panda desde o nascimento.
"Depois de cuidar deles por tanto tempo, é como criar os próprios filhos", disse ela à CCTV. "Eles pesavam pouco mais de 100 gramas quando nasceram, e nós os criamos até ficarem grandes e pesados. Não poderei vê-los por um bom tempo, então é difícil dizer adeus."
Agora, os dois pandas terão de passar pelo período de adaptação antes de serem apresentados ao público. Enquanto isso, equipes chinesas e americanas continuarão trabalhando juntas no cuidado dos animais e em iniciativas de conservação e intercâmbio científico.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



