Super El Niño faz pelicanos desaparecerem das praias do Peru e ameaça espécie
O forte aquecimento das águas do Pacífico está afastando as anchovas, principal alimento dos pelicanos peruanos, provocando fome entre as aves e agravando uma situação já marcada pela gripe aviária e pela queda da população

A chegada dos efeitos do chamado Super El Niño está provocando consequências graves para os pelicanos que vivem na costa do Peru. Com o aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico, as anchovas, uma das principais fontes de alimento dessas aves, estão se deslocando para regiões mais profundas e frias, dificultando o acesso dos animais à comida.
A situação se tornou tão preocupante que ativistas passaram a alimentar os pelicanos diretamente. No último domingo, 27, grupos envolvidos com a proteção dos animais distribuíram peixes para as aves em Lima, em uma tentativa de evitar que elas continuem morrendo de fome.
O problema está relacionado às mudanças provocadas pelo El Niño nos ecossistemas marinhos da costa peruana. O aquecimento do oceano interfere na disponibilidade de anchovas e altera as condições que normalmente favorecem a presença desses peixes próximos à superfície.
População de pelicanos caiu cerca de 40%
Além dos efeitos do fenômeno climático, os pelicanos peruanos enfrentam outro problema grave: surtos de gripe aviária. A combinação das ameaças fez com que a população dessas aves diminuísse aproximadamente 40% no país.
Segundo a pesquisadora Liliana Ayala, da Universidad Científica del Sur, em entrevista à Agência Reuters, a redução representa entre 40 mil e 45 mil pelicanos. Ela também alertou que a situação pode permanecer crítica nos próximos meses.
"O último El Niño foi em 2024, agora é 2026, e no meio disso temos a gripe aviária, e também existem outras ameaças, o que torna a situação deste ano e do próximo crítica", afirmou Ayala.
A especialista explicou que o cenário atual não pode ser atribuído somente ao El Niño. A gripe aviária e outras ameaças também contribuíram para a redução da população da espécie.
Pelicanos estão morrendo de fome
Em Lima, a ativista Rosario Julian Mauricio passou o último fim de semana distribuindo peixes para os pelicanos afetados pela falta de alimento.
Segundo ela, a situação já pode ser observada diretamente nas praias, onde aves mortas são encontradas com frequência.
"Eles estão morrendo. Continuamos encontrando pelicanos mortos dia após dia, exatamente por inanição, porque não conseguem comer", relatou a ativista.
A dificuldade para encontrar alimento acontece porque o aquecimento das águas altera o comportamento das anchovas. Os peixes procuram áreas mais profundas e frias, enquanto os pelicanos dependem deles para sobreviver.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



