El Niño deve voltar com força no segundo semestre de 2026, diz agência dos EUA
Fenômeno climático pode provocar temporais no Sul, ondas de calor e aumento das queimadas no Brasil

O risco de formação de um novo fenômeno El Niño até o fim de 2026 chegou a 98%, segundo atualização divulgada pelo Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, órgão ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
De acordo com o boletim mais recente, a probabilidade de o fenômeno climático se estabelecer entre os meses de maio e julho deste ano subiu para 82%. Em abril, a estimativa para o mesmo período era de 61%, o que indica uma intensificação significativa nas projeções.
A NOAA aponta que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve ganhar força ao longo do segundo semestre, elevando as chances de um episódio considerado forte. Alguns especialistas já avaliam a possibilidade de um “super El Niño”.
Entre os trimestres de agosto a outubro, setembro a novembro e outubro a dezembro, a chance de ocorrência do fenômeno se mantém próxima de 98%, praticamente descartando um cenário de neutralidade climática ou retorno da La Niña nesse período. A previsão também indica 96% de probabilidade de persistência do El Niño até fevereiro de 2027.
Os primeiros impactos devem ser sentidos ainda durante o outono e o inverno, mas a tendência é de intensificação na primavera e no início do verão.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento de pelo menos 0,5°C nas águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno ocorre em intervalos de dois a sete anos, dura em média cerca de um ano e influencia diretamente o clima global, elevando as temperaturas médias do planeta.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, temporais, enchentes e cheias de rios durante episódios de El Niño. Já as regiões Norte e Nordeste costumam enfrentar redução das precipitações, calor mais intenso e maior risco de seca e queimadas.
Segundo a NOAA, o cenário projetado para o segundo semestre de 2026 aponta forte influência do Pacífico sobre o clima da América do Sul, com possibilidade de ondas de calor no Centro-Oeste, avanço das queimadas no sul da Amazônia e tempestades frequentes na Região Sul, além de impactos também esperados na Argentina e no Uruguai.
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