Itatiaia

Aplicativo criado por universidade mapeia atropelamentos de animais nas rodovias

Ferramenta desenvolvida pela UFPel permite que motoristas e passageiros registrem atropelamentos de animais silvestres, ajudando pesquisadores a identificar os trechos mais perigosos e buscar medidas para reduzir os acidentes nas estradas brasileiras

Por
animais em rodovias
Magnific

Um aplicativo desenvolvido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) quer transformar os registros de atropelamentos de animais silvestres em dados que possam ajudar a reduzir esse tipo de acidente nas rodovias brasileiras. O Alerta Animal permite que qualquer pessoa informe ocorrências e a localização dos casos, criando um banco de dados para pesquisas e ações de prevenção.

Lançada há cerca de um mês, a ferramenta está disponível para celulares Android e iOS. A proposta é reunir informações de diferentes regiões do país para identificar os pontos onde há maior concentração de atropelamentos.

Com esses dados, a equipe responsável pelo projeto pretende ajudar na busca por alternativas para diminuir as ocorrências e orientar medidas de prevenção.

Como funciona o Alerta Animal

O aplicativo oferece duas formas de registrar um atropelamento. Uma delas permite fotografar o animal e enviar a imagem junto com as informações sobre o ocorrido. Nesse caso, é necessário que o usuário pare o veículo antes de fazer o registro. A fotografia passa posteriormente pela análise e aprovação de uma equipe especializada.

Também é possível fazer um registro imediato, sem fotografia. Nessa modalidade, o usuário informa a localização do acidente e preenche os dados que conseguir identificar, como a espécie do animal e seu estado de saúde.

O aplicativo apresenta um passo a passo para orientar o usuário no primeiro acesso. Para celulares Android, o Alerta Animal pode ser encontrado no Google Play. Nos aparelhos da Apple, a ferramenta está disponível na App Store.

População ajuda na produção de dados científicos

A participação dos usuários é uma das principais características do projeto. Segundo Raqueli França, orientadora da pesquisa, a iniciativa segue o conceito de ciência cidadã, no qual a população contribui para a produção de informações que podem ser utilizadas em pesquisas científicas.

"Quanto mais as pessoas utilizarem, melhor. Hoje ele já está sendo utilizado em diferentes estados do Brasil. A gente já tem registros no Paraná, Santa Catarina, São Paulo", afirmou Raqueli ao site de notícias GZH.

A expectativa é que o aumento no número de registros permita ampliar o banco de dados e facilite a identificação das regiões com maior quantidade de ocorrências.

Ideia surgiu após rotina de atendimento a animais atropelados

O desenvolvimento do aplicativo começou durante a tese de doutorado de Amanda Stark, no Programa de Pós-Graduação em Veterinária da UFPel. A ideia nasceu a partir da rotina do Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (Nurfs), ligado à universidade.

O núcleo recebe animais atropelados de diferentes municípios da metade sul do Rio Grande do Sul. A frequência dos casos levou os pesquisadores a procurar uma maneira de reunir informações sobre os acidentes e, com base nesses dados, pensar em estratégias para diminuir as ocorrências.

"A ideia surgiu dentro da nossa rotina de atendimento no Nurfs, devido ao número de animais que chegam atropelados. Então, através da pesquisa, identificamos um problema e vamos buscar uma alternativa para tentar mitigar esses números", explicou Raqueli.

A pesquisa que deu origem ao Alerta Animal começou há aproximadamente quatro anos. Após a etapa de investigação, foram necessários mais alguns meses para o desenvolvimento da ferramenta até que ela pudesse ser disponibilizada ao público.

Aplicativo poderá emitir alertas aos motoristas

Uma das próximas funções planejadas para o Alerta Animal é a criação de alertas sonoros para quem estiver dirigindo. A ideia é que o aplicativo consiga avisar quando o usuário estiver passando por um trecho identificado como área de grande concentração de atropelamentos de animais silvestres.

Para isso, os registros feitos pela população serão fundamentais. A equipe pretende utilizar as informações para localizar os pontos de maior risco e, posteriormente, buscar alternativas de prevenção.

"Vamos atrás de alternativas, seja através de políticas públicas, conversando com os governos e responsáveis por essas rodovias e informando", explicou Raqueli França.

A expectativa dos pesquisadores é que o crescimento da base de registros ajude a compreender melhor onde os atropelamentos acontecem e forneça informações que possam ser utilizadas na elaboração de medidas para reduzir os acidentes com animais nas estradas.

Por

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

Belo Horizonte