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Sinal discreto na forma de caminhar dos cães que pode indicar risco de demência

Pesquisa revela que mudanças no comprimento das passadas podem ajudar a identificar precocemente o declínio cognitivo em cães idosos

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A condição afeta principalmente animais idosos e pode atingir até 60% dos cães com mais de 11 anos • Magnific

Um detalhe quase imperceptível na maneira como um cachorro caminha pode ser um importante sinal de alerta para o desenvolvimento de demência. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu que o encurtamento das passadas das patas dianteiras está associado ao declínio cognitivo em cães idosos, podendo auxiliar veterinários e tutores na identificação precoce da doença.

A pesquisa reforça que alterações na marcha não devem ser encaradas apenas como consequência natural do envelhecimento. Em muitos casos, elas podem refletir mudanças no funcionamento do cérebro, assim como já ocorre em seres humanos.

Nos últimos anos, estudos também mostraram que pessoas que passam a caminhar mais lentamente apresentam maior risco de desenvolver doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Agora, os cientistas observaram um padrão semelhante entre os cães.

O que é a demência canina

A condição, conhecida como síndrome da disfunção cognitiva canina, afeta principalmente animais idosos e pode atingir até 60% dos cães com mais de 11 anos. O problema provoca alterações progressivas no cérebro, comprometendo a memória, o aprendizado e o comportamento.

Os sinais mais conhecidos incluem desorientação, mudanças na interação com a família, alterações no sono e episódios em que o animal parece se perder até mesmo em locais familiares. Como muitos desses sintomas também podem surgir durante o envelhecimento natural, o diagnóstico costuma ser um desafio.

Segundo os pesquisadores, a alteração na forma de caminhar representa um novo indicador físico que poderá complementar a avaliação clínica, sem substituir outros exames e observações.

Como foi realizada a pesquisa

O estudo acompanhou 88 cães idosos, de diferentes portes, raças e sem raça definida. Para participar, cada animal precisava ter alcançado pelo menos 75% da expectativa média de vida prevista para seu porte e raça.

Os pesquisadores avaliaram diversos aspectos da saúde dos cães, incluindo visão, audição, força muscular, mobilidade, condições ortopédicas e funcionamento neurológico. O objetivo era garantir que alterações na caminhada não fossem explicadas apenas por doenças físicas.

Durante os testes, os cães percorriam um trajeto de aproximadamente cinco metros em seu próprio ritmo, sem comandos, brinquedos ou recompensas. As avaliações foram repetidas a cada seis meses durante vários anos.

O que os cientistas descobriram

Os resultados mostraram que os cães com passadas mais curtas nas patas dianteiras também apresentavam pior desempenho nos testes cognitivos. Essa relação permaneceu mesmo após os pesquisadores considerarem fatores como idade e doenças crônicas.

Curiosamente, essa associação foi observada apenas nas patas dianteiras, e não nas traseiras.

A neurologista veterinária Natasha Olby, uma das responsáveis pelo estudo, explicou o significado da descoberta:

"Demonstramos que o comprimento das passadas das patas dianteiras dos cães diminui com a idade, mas, mais importante ainda, diminui com o comprometimento cognitivo."

Segundo os pesquisadores, acompanhar mudanças na forma como um cão anda pode oferecer uma oportunidade para identificar precocemente o avanço da síndrome da disfunção cognitiva e diferenciá-la das alterações esperadas do envelhecimento.

Embora a descoberta seja promissora, os especialistas ressaltam que a observação da marcha não deve ser utilizada isoladamente como método de diagnóstico. A avaliação veterinária completa continua sendo indispensável para confirmar a doença e descartar outras condições que também podem afetar a locomoção dos animais.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.