Saiba identificar queda normal de pelos de cães e gatos e quando pode indicar doenças
Excesso de pelos pela casa pode indicar desde falhas nos cuidados até doenças que exigem acompanhamento veterinário

Encontrar pelos no sofá, no chão ou nas roupas faz parte da convivência com cães e gatos. A queda de pelos é um processo natural e necessário para a renovação da pelagem, principalmente em determinadas épocas do ano. No entanto, quando ocorre de forma intensa, acompanhada de falhas na pele ou outros sinais clínicos, pode indicar que algo não vai bem com a saúde do pet.
De acordo com a Associação Brasileira de Dermatologia Veterinária (ABDV), a perda de pelos pode estar relacionada tanto a fatores fisiológicos quanto a doenças dermatológicas, parasitárias, hormonais e nutricionais. Por isso, observar o padrão da queda e relatá-la ao veterinário é importante, para diferenciar uma situação normal de um problema que precisa de avaliação profissional.
Assim como acontece com os cabelos humanos, os pelos dos animais passam por ciclos de crescimento, repouso e renovação. Em cães e gatos saudáveis, a troca da pelagem ocorre o tempo todo, mas costuma ser mais perceptível durante mudanças de temperatura e luminosidade.
A médica-veterinária dermatologista da Associação Mundial de Medicina Veterinária de Pequenos Animais (WSAVA), Karen Moriello, destaca em materiais técnicos da entidade que algumas raças têm queda mais intensa ao longo do ano, principalmente aquelas com subpelo abundante, como Golden Retriever, Husky Siberiano, Pastor Alemão e Spitz Alemão. Entre os gatos, raças de pelo longo costumam demandar cuidados mais frequentes para evitar acúmulo de pelos soltos.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- falhas visíveis na pelagem;
- áreas avermelhadas ou inflamadas na pele;
- coceira intensa;
- feridas ou descamação;
- lambedura excessiva;
- aumento repentino da quantidade de pelos perdidos.
Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento veterinário para investigar a causa.
Alergias, parasitas e estresse podem aumentar a perda de pelos
Quando a queda deixa de ser apenas uma renovação natural, diversos fatores podem estar envolvidos. Pulgas, carrapatos, ácaros, infecções por fungos e alergias estão entre as causas mais comuns dos problemas dermatológicos observados em cães e gatos.
Além disso, doenças hormonais, como hipotireoidismo e síndrome de Cushing em cães, também podem provocar alterações na pelagem. Deficiências nutricionais e dietas desequilibradas são outros fatores que interferem diretamente na saúde da pele e dos pelos.
O aspecto emocional também merece atenção. Mudanças na rotina, chegada de novos animais, ausência prolongada dos tutores e situações de estresse podem desencadear lambedura compulsiva, especialmente em gatos, contribuindo para a perda excessiva de pelos.
Uma das formas mais eficazes de controlar a queda natural é manter uma rotina de escovação adequada ao tipo de pelagem do animal. Além de remover pelos mortos antes que se espalhem pela casa, a prática ajuda a distribuir a oleosidade natural da pele e permite identificar precocemente feridas, parasitas ou alterações dermatológicas.
A frequência ideal varia conforme a raça e o comprimento dos pelos. Animais de pelo longo podem precisar de escovação diária, enquanto muitos pets de pelo curto se beneficiam de sessões duas ou três vezes por semana.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



