Itatiaia

Saiba diferenciar a queda natural de pelos da alopecia canina

Muitos tutores tentam tratar a 'falta de pelo' com pomadas genéricas, sem investigar a causa raiz

Por
Mesmo que você ainda não tenha ouvido esse apelido, certamente já se deparou com um cachorro com pêlos arrepiados pelo corpo, parecendo fiapos de manga
Uma falha na pelagem pode mascarar desde um simples fungo até doenças endócrinas graves • Freepik

Tutores de pet já se acostumaram com a roupa, o sofá ou o chão cheio de pelos, pois há um processo natural de renovação da pelagem que ocorre ciclicamente, influenciada pela luz solar e temperatura. Porém, quando essa queda produz em falhas visíveis, áreas calvas (alopécicas) ou vem acompanhada de coceira e feridas, o sinal de alerta dos tutores deve acender.

A alopecia canina não é uma doença em si, mas um sinal clínico. Ela é o sintoma visível de que algo no organismo do animal, seja na pele ou no sistema hormonal, não está ok. O problema é que muitos tutores tentam tratar a "falta de pelo" com pomadas genéricas, sem investigar a causa raiz.

Uma falha na pelagem pode mascarar desde um simples fungo até doenças endócrinas graves, como o hipotireoidismo ou o hiperadrenocorticismo (Síndrome de Cushing). Mas para o diagnóstico correto, o médico veterinário avalia o padrão da alopecia: se é focal (apenas um ponto), multifocal (vários pontos) ou simétrica (nos dois lados do corpo).

A Alopecia X merece destaque, devido à popularidade da raça Spitz Alemão no Brasil. Nesses casos, o cão, geralmente jovem adulto, começa a perder a pelagem no tronco e pescoço, ficando com uma aparência de "filhote" ou com a pele escurecida (processo chamado de hiperpigmentação), mas permanece clinicamente saudável.

Mas, mais uma vez, o diagnóstico correto depende da avaliação de um médico veterinário, pois não existe um exame de sangue único que aponte para a Alopecia X. O profissional precisará descartar outros diagnósticos antes de fechar esse.

Cuidado com o fator emocional

Há ainda a possibilidade de Dermatite Acral por Lambedura, muitas vezes ligada ao estresse e ansiedade de separação. O cão lambe compulsivamente uma pata ou flanco até remover o pelo e causar feridas.

A dermatologista veterinária Camila Domingues, da na UniCare Vet Campinas, lembra que a saúde mental impacta a física:

“Animais que ficam muito tempo sozinhos, sem enriquecimento ambiental, podem desenvolver comportamentos estereotipados, como a automutilação. Nesses casos, o tratamento da pele não resolve se não tratarmos a mente do cão e a rotina da casa”.

Por

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

 

 

Belo Horizonte