Educador canino alerta sobre erro ao molhar o cachorro e dá dicas para refrescar o animal
Veja os cuidados recomendados para proteger os cães das altas temperaturas, evitar queimaduras nas patas e reconhecer os sinais de um possível golpe de calor

Com a chegada das temperaturas elevadas, os cães também precisam de cuidados especiais para enfrentar o calor. Além de evitar passeios nos horários mais quentes, os tutores devem prestar atenção à temperatura do asfalto, manter os animais hidratados e saber como refrescá-los corretamente.
Em entrevista ao Infobae, o educador canino Guillermo Lapuente, voluntário da Associação Nacional de Amigos dos Animais (ANAA), da Argentina, e colaborador do programa Dog House, explicou algumas medidas que podem ajudar a proteger os cães durante os períodos de calor intenso.
Horário do passeio faz diferença
Segundo Lapuente, os passeios devem acontecer preferencialmente no início da manhã ou mais tarde, à noite, quando as temperaturas estão mais baixas.
"Os passeios devem ser feitos em horários que não sejam o pico de calor, ou seja, cedo pela manhã e mais tarde à noite", afirmou o educador.
Ele também recomenda adaptar a rotina durante o verão e reforça que os cães não devem ser levados para caminhar durante o período de maior calor.
"Nunca se deve levar o cachorro para passear às três da tarde ou quando estiver fazendo mais calor", alertou.
Outro cuidado importante é verificar a temperatura do chão antes de sair. Uma maneira simples é encostar o dorso da mão no asfalto e tentar mantê-lo em contato com a superfície por cinco a sete segundos. Se estiver quente demais para a mão, também poderá causar queimaduras nas patas do animal.
Como refrescar o cachorro corretamente
Levar água durante os passeios é indispensável, tanto para oferecer ao cão quanto para ajudar a refrescá-lo. No entanto, segundo Lapuente, existe uma maneira específica de molhar o animal.
"Não se deve molhá-los pela parte de cima, ou seja, nem a cabeça nem as costas", explicou.
A orientação é concentrar a água na região inferior do corpo.
"É preciso molhá-los sempre na parte de baixo do pescoço e em toda a região da barriga. Se molharmos o dorso, o calor incide diretamente sobre a água acumulada no pelo; ela esquenta e acaba dando mais calor ao animal. Por isso, sempre por baixo", afirmou.
O educador também não recomenda o uso rotineiro de acessórios como bonés e óculos de sol para cães, já que os animais não estão acostumados a utilizá-los e alguns desses objetos podem até alterar sua percepção visual.
Atenção aos sinais de golpe de calor
O tempo de permanência na rua também merece atenção. Um dos erros mais comuns, segundo o especialista, é permanecer ao ar livre por mais tempo do que o animal consegue suportar.
Alguns cães exigem cuidados ainda maiores. Raças como pug e bulldog francês, por exemplo, possuem maior sensibilidade respiratória. Filhotes e cães idosos também estão entre os animais que precisam de atenção especial.
"É preciso levar em consideração a raça do cachorro. Raças como os pugs ou os bulldogs franceses têm um sistema respiratório mais delicado, por isso é preciso ter ainda mais cuidado com eles", disse Lapuente.
Para esses animais, a recomendação é fazer passeios curtos, procurar áreas com sombra e observar atentamente a respiração.
Um dos primeiros sinais de alerta para um possível golpe de calor é uma respiração muito acelerada e intensa. Se o cão começar a ofegar de maneira "muito mais rápida e exagerada", o tutor deve verificar a temperatura do corpo do animal.
O especialista também alerta para o uso de focinheiras. No calor, os modelos que mantêm a boca do cão fechada podem ser perigosos, pois os animais regulam a temperatura corporal principalmente por meio da respiração.
"Se você levar o cachorro com a típica focinheira de fita, que mantém o focinho fechado, ele não consegue ofegar nem respirar direito", advertiu.
Caso haja suspeita de golpe de calor, a orientação apresentada pelo educador é agir rapidamente para reduzir a temperatura do animal de maneira gradual. Ele ressalta que não se deve utilizar água muito gelada, para evitar um choque térmico, e que o cão precisa ser levado imediatamente a um veterinário de emergência.
Viagens de carro também exigem preparação
O calor não é o único desafio para os cães durante as férias. Viagens de carro podem provocar ansiedade, especialmente quando o animal não está acostumado a entrar no veículo.
Lapuente recomenda fazer uma adaptação progressiva, associando o carro a experiências positivas.
"É preciso ensiná-lo a entrar e sair do carro, reforçando isso com comida", explicou.
Pequenos trajetos de teste também podem ajudar o animal a se acostumar antes de uma viagem mais longa. A ideia é evitar que o cachorro seja colocado pela primeira vez no veículo justamente no dia de uma viagem extensa.
Para o transporte, o especialista considera o uso de uma caixa de transporte uma das alternativas mais seguras. Assim como acontece com o carro, porém, o animal deve ser acostumado previamente ao equipamento para que o associe a um local tranquilo e seguro.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



