Apenas metade dos tutores trata os pets contra parasitas, diz estudo
Maioria dos profissionais demonstram preocupação com a aplicação irregular dos tratamentos, o que aumenta o risco de infestações

Um levantamento da MSD Saúde Animal acende um alerta: muitos cães e gatos seguem expostos a pulgas, carrapatos e doenças associadas, mesmo com formas eficazes de prevenção disponíveis.
A pesquisa “Perspectivas de Proprietários de Animais de Estimação sobre Tratamento e Prevenção de Parasitas”, feita pela entidade, ouviu 4.072 tutores e 582 médicos-veterinários em 15 países, incluindo o Brasil, que teve uma das maiores participações.
Os dados mostram um descompasso entre percepção e prática. Embora 83% dos tutores considerem o controle de parasitas essencial, quase metade não manteve a prevenção no último ano: 46% entre cães e 51% entre gatos.
Do lado dos profissionais, 74% demonstram preocupação com a aplicação irregular dos tratamentos, o que aumenta o risco de infestações. Globalmente, mais da metade dos cães (51%) e dois terços dos gatos com acesso à rua (66%) já tiveram problemas com pulgas e carrapatos.
Mesmo entre gatos que vivem exclusivamente dentro de casa, 43% foram afetados.
Outro dado que chama atenção é a falta de informação: 67% dos tutores dizem não conhecer a ehrlichiose, doença transmitida por carrapatos que pode trazer complicações graves.
Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de ampliar a conscientização. “Mais do que nunca, essas descobertas reforçam a necessidade de educação sobre a importância da prevenção ao longo de todo o ano”, afirma Rob Armstrong, da MSD Saúde Animal.
O estudo também aponta um equívoco comum: 44% dos tutores associam a presença de parasitas apenas ao verão, quando, na prática, o risco permanece durante todo o ano.
Veterinários alertam que a prevenção não deve ser interrompida e precisa ser orientada por profissional, já que diferentes produtos têm indicações específicas. Além disso, doenças como a leishmaniose, transmitida pelo mosquito-palha, têm avançado para novas regiões do país, o que exige atenção redobrada.
Nesse contexto, medidas preventivas contínuas são consideradas fundamentais tanto para a saúde dos animais quanto para a saúde pública.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



