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Ex-secretária de Bem-Estar Animal é denunciada por ordenar 478 eutanásias ilegais

Outras oito pessoas foram denunciadas, entre elas uma policial civil acusada de acessar e repassar dados restritos do sistema policial

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De acordo com a Polícia Civil, a acusada usava as redes sociais para postar fotos de animais com deficiência que dizia "salvar" e "adotar" • Pexels

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, por crimes de maus-tratos contra animais domésticos. Segundo as investigações, ela usou o cargo público para ordenar o sacrifício de cães e gatos sem exames laboratoriais que justificassem os procedimentos.

A ex-secretária, que não tem formação em Medicina Veterinária, chefiou a pasta de janeiro a julho de 2025, período em que foram realizadas 478 eutanásias sob o seu comando.

De acordo com a Polícia Civil, a acusada usava as redes sociais para postar fotos de animais com deficiência que dizia "salvar" e "adotar". Essa imagem servia de fachada para arrecadar dinheiro em nome de uma associação fundada por ela.

O Ministério Público descobriu que os valores doados para os supostos tratamentos dos animais eram desviados diretamente para a ex-secretária e o marido dela. A entidade também foi denunciada por participação em três episódios de maus-tratos.

Rede de apoio e outras denúncias

Além de Paula Lopes, outras oito pessoas foram denunciadas, entre elas uma policial civil que foi denunciada por acessar e repassar dados restritos do sistema policial para favorecer o esquema da ex-secretária.

O MPRS pediu à Justiça a aplicação de punições graves, incluindo a proibição de que os envolvidos tenham a guarda de animais, a perda de bens ligados aos crimes e a perda definitiva de cargos ou funções públicas.

O promotor de Justiça responsável pelo caso, Leonardo Giardin de Souza, afirmou que não será oferecido nenhum acordo para evitar o processo penal, devido à extrema violência dos atos.

"A conduta é desprezível e de intensa crueldade. As eutanásias ilegais foram feitas em massa e com objetivos fraudulentos, aumentando o sofrimento de uma população que já vinha castigada desde as enchentes de maio de 2024", declarou o promotor à imprensa local.

 

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.