O diagnóstico de FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) ainda provoca medo em muitos tutores de gatos. E infelizmente, não é incomum que o diagnóstico leve ao abandono, isolamento excessivo ou até eutanásia precoce. Mas a ciência veterinária é clara: um gato com FIV pode viver por muitos anos com qualidade de vida, desde que receba acompanhamento adequado.
A FIV é causada por um retrovírus que afeta o sistema imunológico dos gatos, e os torna mais suscetíveis a infecções secundárias ao longo da vida. Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a transmissão ocorre principalmente por mordidas profundas, associadas a
“A FIV não é transmitida pelo convívio social pacífico, como compartilhar potes de comida ou usar a mesma caixa de areia”, esclarece material educativo do órgão.
A entidade destaca que muitos gatos FIV positivos permanecem assintomáticos por anos. “O diagnóstico de FIV não significa doença imediata nem reduz, por si só, a qualidade de vida do animal”.
Apesar disso, o estigma persiste. A médica-veterinária Denise Simões, especialista em medicina felina, afirma que “o abandono de gatos FIV positivos está muito mais ligado ao medo e à
Além disso, o isolamento social desnecessário do pet pode ser prejudicial. O estresse crônico compromete ainda mais o sistema imunológico e agrava quadros que poderiam ser controlados com o cuidado correto.
Na prática clínica e no trabalho de ONGs, o impacto da desinformação é evidente. Protetores relatam que gatos FIV positivos costumam ficar mais tempo à espera de adoção, mesmo quando são dóceis, castrados e clinicamente estáveis. Para eles, esse cenário representa um problema de bem-estar animal evitável com informação de qualidade.
Por isso, a Itatiaia listou o que a ciência e os órgãos especializados já sabem sobre gatos com FIV:
- FIV não é FeLV e não tem a mesma dinâmica de transmissão
- Gatos FIV positivos podem viver muitos anos, especialmente quando diagnosticados precocemente
- O vírus não é transmitido por contato casual, apenas por mordidas profundas
- O estresse e o isolamento pioram a saúde imunológica
- A convivência é possível entre gatos FIV+, com o cuidado adequado
- Abandono e negligência reduzem drasticamente a expectativa de vida, mais do que o vírus
O CRMV-SP, em nota técnica sobre doenças infecciosas felinas, reforça que a recomendação atual é focar em qualidade de vida, prevenção de infecções secundárias, alimentação adequada, ambiente interno e acompanhamento veterinário regular. E não em exclusão ou medidas extremas.