As chuvas intensas que atingiram Ouro Preto ao longo da semana provocaram uma série de ocorrências na cidade nesta sexta-feira (23), levando a interdições de vias, monitoramento de áreas de risco e ao fechamento temporário de espaços públicos. A Prefeitura mantém equipes mobilizadas em regime de plantão, com atuação conjunta da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Obras.
Entre os principais registros estão deslizamentos de terra no Caminho da Fábrica, na Rua Desidério de Matos, no bairro Alto da Cruz, onde a via permanece interditada. No bairro Água Limpa, a Rua Irmãos Kennedy foi totalmente interditada após o desabamento de um muro de contenção.
Outros pontos da cidade também foram afetados. Na Rua Padre Rolim, próximo ao Terminal Rodoviário, a enxurrada carregou grande volume de terra para o meio da pista durante uma obra em andamento. No bairro Santa Cruz, uma caixa d’água na Rua do Bosque apresentou problemas, e houve ainda deslizamento na Rua das Mangabeiras, o que levou à alteração temporária do ponto final da linha de ônibus do bairro. Desde sexta-feira (23), os coletivos passaram a encerrar o trajeto nas proximidades do Bar do Milton.
No bairro Taquaral, localizado a cerca de dois quilômetros do Centro Histórico, áreas ocupadas por moradias precárias seguem sob atenção por estarem em zona de alto risco geológico. Apesar de não serem visíveis a partir da região central, esses pontos integram o monitoramento permanente da Defesa Civil, já que o terreno montanhoso da cidade, aliado às chuvas constantes, favorece o encharcamento do solo e a possibilidade de deslizamentos.
Como medida preventiva, por orientação da Defesa Civil, o Parque Horto dos Contos foi fechado temporariamente nesta sexta-feira (23). A administração municipal informou que o espaço será reaberto assim que as condições climáticas forem consideradas seguras e orienta a população a acompanhar os canais oficiais para novas atualizações.
Além das ocorrências urbanas, o nível do Rio Maracujá apresenta elevação nos trechos que passam por Cachoeira do Campo e Amarantina. Até o momento, não há registro de transbordamento, mas o monitoramento segue ativo devido à previsão de continuidade das chuvas.
O cenário de atenção é reforçado por dados do Serviço Geológico do Brasil, que apontam Ouro Preto como o município com maior número de áreas de risco do país: 313 ao todo. Deste total, cerca de 97% são classificadas como de alto risco geológico e 2,8% como risco muito alto, atingindo diretamente mais de seis mil pessoas. A ocupação histórica em encostas e áreas íngremes aumenta a vulnerabilidade, especialmente durante o período chuvoso, e também coloca em risco o patrimônio histórico e cultural da cidade.
Segundo a Prefeitura, até o momento não há ocorrências que exijam a remoção de moradores. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social permanece de plantão, com estrutura preparada para acolhimento emergencial, caso seja necessário.