Nova corrida armamentista? Entenda fim do acordo nuclear entre Rússia e EUA

Tratado era o último que limitava o número de ogivas nucleares dos países e pode desencadear um aumento da produção bélica

Encerrou nesta quinta-feira (5) o último tratado nuclear entre EUA e Rússia

Expirou nesta quinta-feira (5) o tratado nuclear estabelecido entre a Rússia e os Estados Unidos que limita o arsenal dos dois países. O fim do acordo representa um momento de incertezas para o cenário geopolítico global e pode representar uma nova corrida armamentista.

O tratado New Start era o único vigente que limitava o número de ogivas nucleares que cada país poderia possuir. Essa realidade é inédita desde que o fim da Guerra Fria entre as nações foi decretado.

Assinado em 2010, o acordo estabelecia que cada país somente poderia possuir até 1.550 ogivas nucleares estratégicas, que são capazes de destruir cidades inteiras e provocar mortes em massa. Além disso, limita a 700 o número de lançadores dessas armas, que podem ser mísseis balísticos intercontinentais, mísseis de submarino ou bombardeiros.

Segundo Diego Pavão, editor de Internacional da CNN Brasil, “a Rússia até deu sinais de que poderia continuar pelo menos algumas regras desse acordo de maneira mais informal, os Estados Unidos não indicaram isso”.

Neste cenário de desenvolvimento armamentista, a China aparece como protagonista que pode ter provocado a não renovação do acordo, em uma relação de desconfiança mútua no panorama global que leva ao crescimento da produção das ogivas.

Alguns dos termos que estavam presentes no tratado New Start eram:

  • Manter armas nucleares a uma distância segura, com mínimo de 30 minutos para atingir o outro país;
  • Até 18 inspeções anuais de uma equipe de peritos ao arsenal nuclear de cada país;
  • Compartilhamento mútuo de dados sobre arsenal nuclear a cada dois anos;
  • Notificações prévias ao lançamento de mísseis balísticos intercontinentais;
  • Compartilhamento mútuo de informações sobre movimentações de armamentos nucleares.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, descreveu o fim do pacto como um “momento grave para a paz e a segurança internacionais”. Para ele, a dissolução acontece em momento delicado.

“Essa dissolução de décadas de conquistas não poderia ocorrer em pior momento. O risco do uso de armas nucleares está em seu nível mais alto em décadas”, completou em comunicado.

No documento que instituiu o tratado, os Estados Unidos reconheceram a importância do acordo entre os países. “Sem as medidas de verificação do New Start, haveria uma redução no conhecimento dos EUA sobre as forças nucleares russas. Com o tempo, teríamos menos confiança em nossas avaliações das forças russas e menos informações para embasar decisões sobre as forças nucleares dos EUA”, afirmou o Departamento de Estado nos termos.

A Rússia lamentou o fim do acordo, porém afirmou estar pronta para um “novo mundo” sem limites para armas nucleares. Os EUA ainda não se posicionaram sobre a dissolução do tratado.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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