Musa do Paraguai, Larissa Riquelme relata prejuízo após crise de banco que abalou o país
Modelo afirma que tinha investimentos e aplicações financeiras no Ueno Bank, além de trabalhar em uma empresa ligada ao grupo controlador da instituição; 'Estamos vivendo dias de muita preocupação e incerteza', declarou

Conhecida internacionalmente como musa da seleção paraguaia, a modelo Larissa Riquelme está entre as pessoas afetadas pela crise financeira que atingiu o Paraguai após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank. Em entrevista ao Band Entretê, ela contou que tinha investimentos na instituição e trabalhava em uma empresa ligada ao mesmo grupo empresarial que controlava o banco.
Além do dinheiro bloqueado, Larissa relatou que a crise também afetou sua vida profissional. Ela era contratada da VMedia, empresa de comunicação pertencente ao grupo controlador do Ueno Bank, e afirma que mais de 300 funcionários foram desligados em meio à crise. "Mais de 300 funcionários foram desligados. Temos participado de manifestações e estamos vivendo dias de muita preocupação e incerteza", contou à Band.
A modelo explicou que, embora tenha outras fontes de renda e contas em diferentes instituições financeiras, concentrava a maior parte de seus rendimentos no Ueno Bank. Ela também mantinha uma aplicação de renda fixa na instituição.
"Sou afetada profissional e financeiramente, porque também abri mão de outras oportunidades para me dedicar à empresa. [...] No meu caso, tenho outras fontes de renda e também uma conta em outro banco. Porém, a maior parte dos meus rendimentos estava concentrada no Ueno Bank, onde também tenho uma aplicação de renda fixa", relatou.
Larissa ainda aguarda informações sobre emprego
A situação profissional da modelo também permanece indefinida. Segundo o relato, ela ainda não recebeu uma comunicação formal sobre o encerramento do vínculo com a VMedia, mas acredita que sua passagem pela empresa tenha chegado ao fim.
Larissa afirmou que os funcionários souberam da situação por meio do Ministério Público e que alguns colegas receberam avisos sobre o desligamento, enquanto outros ainda aguardam uma posição oficial. Inicialmente, os trabalhadores foram orientados a esperar um prazo de 90 dias para novas informações. Posteriormente, receberam a indicação de que deveriam aguardar mais oito dias por uma comunicação sobre o futuro da empresa.
A modelo também contou que a estrutura da VMedia já havia sido desmontada e que alguns funcionários começaram a buscar medidas judiciais, enquanto outros continuam esperando respostas. "Estamos falando de dinheiro que representa anos de trabalho e planejamento. No meu caso, também tenho um investimento e estou aguardando informações oficiais sobre os próximos passos", afirmou.
A preocupação, segundo ela, vai além dos prejuízos individuais. Larissa destacou que milhares de famílias dependem das economias, dos salários e dos recursos mantidos na instituição. "São economias de uma vida, salários e recursos que sustentam muitas famílias. Minha preocupação vai muito além da minha situação pessoal", declarou.
Quem é Larissa Riquelme?
Aos 41 anos, Larissa Riquelme é uma modelo e influenciadora paraguaia que ganhou projeção internacional durante a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul. Ela ficou conhecida como a "musa da Copa" e da seleção paraguaia após aparecer nas arquibancadas durante os jogos do país.
Fotografias da modelo com o celular guardado entre os seios ganharam repercussão internacional e fizeram com que ela se tornasse um dos rostos mais conhecidos daquela edição do Mundial. A exposição durante a competição abriu espaço para trabalhos na televisão, campanhas publicitárias e participações em programas de entretenimento em diferentes países.
Entenda a crise no Paraguai
A crise começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país, depois de identificar problemas de solvência e insuficiência de capital. O banco atendia aproximadamente três milhões de clientes, em uma população de cerca de 6,5 milhões de habitantes.
Com a intervenção, os clientes ficaram temporariamente sem acesso aos depósitos, enquanto os recursos de instituições públicas e fundos previdenciários também foram atingidos. A situação provocou protestos em Assunção, capital do país, e levantou questionamentos sobre a fiscalização da instituição.
O caso ganhou dimensão política porque o presidente Santiago Peña teve participação societária no Grupo Vázquez, conglomerado controlador do banco, até março de 2025. A oposição passou a acusá-lo de conflito de interesses e favorecimento à instituição.
Nesta quinta-feira (05), em meio à pressão política e à perda de apoio do próprio partido, Peña anunciou sua renúncia. Pouco depois, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, por 78 votos a zero, o processo de impeachment contra ele, encaminhando as acusações ao Senado.
O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir a Presidência. Enquanto isso, autoridades trabalham para transferir os depósitos a outras instituições e garantir a devolução dos valores protegidos pelo fundo de garantia. A crise também provocou investigações contra dirigentes do banco, com acusações envolvendo empréstimos a empresas ligadas aos controladores da instituição.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



