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Presidente do Paraguai diz que irá se defender de acusações em processo de impeachment

Na declaração divulgada, Peña afirma que irá colaborar para que a crise envolvendo o banco paraguaio Ueno seja esclarecida e os envolvidos sejam responsabilizados pela Justiça

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Saeed Jumoh / Minister of Foreign Affairs of the United Arab Emirates.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, declarou na noite desta quinta-feira (5) que irá se defender do processo de impeachment contra ele, que tramita no Congresso.

Em uma publicação nas redes sociais, ele afirmou que se colocará à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre sua ligação com o escândalo do banco Ueno, que fechou as portas nesta semana. "Diante da continuidade do processo de impeachment, apresentar-me-ei e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República", escreveu.

Até o ano passado, o presidente era acionista do grupo proprietário do Ueno, fechado na última terça-feira (3), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da empresa. A instituição financeira contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões, o equivalente a R$ 4,6 bilhões, em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social do país.

Na declaração divulgada, Peña afirma que irá colaborar para que a crise paraguaia seja esclarecida e os envolvidos sejam responsabilizados pela Justiça. "A cidadania merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei", disse.

Ele também destacou que os clientes afetados pelo escândalo não podem ser prejudicados e que o pagamento a eles não pode depender de seu futuro político. "Meu destino pessoal não está acima do Paraguai. Seja qual for o resultado deste processo, atuarei com responsabilidade e respeito à Constituição. Meu compromisso é com a verdade, com as instituições e, acima de tudo, com as famílias paraguaias", destacou.

Nesta quinta-feira, durante a discussão sobre a abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, Peña anunciou sua renúncia ao cargo, com a justificativa de "preservar as instituições" e "em nome da estabilidade" paraguaia.

Além da Câmara, o Senado também precisa confirmar o apoio à acusação formal contra o presidente para que o processo de impeachment seja concluído. A denúncia aponta conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e atuação contra o interesse público, uma vez que o presidente nomeou o economista Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central.

Após a liquidação do banco Ueno, Carvallo renunciou à presidência do BC. Antes, ele havia sido dirigente da instituição financeira digital até 2023.

Leia pronunciamento na íntegra:

Queridos compatriotas,

Sei que estamos vivendo momentos de preocupação e incerteza. Quero falar com vocês com clareza e serenidade.

Diante da continuidade do processo de impeachment, vou me apresentar e exercer meu direito de defesa. Farei isso com argumentos e provas, em respeito à Constituição e às instituições da República.

Mesmo que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito. Não por orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade diante do povo paraguaio.

Vou colaborar plenamente com as instituições competentes para esclarecer o que aconteceu, determinar as responsabilidades e garantir que aqueles que tenham infringido a lei respondam à Justiça. Fornecerei todas as informações que me forem solicitadas. A população merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei.

Mas quero deixar uma coisa muito clara. O pagamento aos correntistas não pode ficar condicionado ao que acontecer comigo. A discussão sobre minha permanência no cargo não pode paralisar as soluções de que as famílias afetadas precisam.

Minha prioridade foi promover, dentro da lei e em coordenação com as instituições responsáveis, as medidas necessárias para que os correntistas recuperem suas economias. Esclarecer os fatos e resolver os pagamentos são obrigações que precisam avançar ao mesmo tempo. Uma não pode servir de desculpa para adiar a outra.

Peço que mantenhamos a calma e a paz. As reivindicações da população merecem ser ouvidas e atendidas com respeito, informações claras e ações concretas.

Meu destino pessoal não está acima do Paraguai. Qualquer que seja o resultado deste processo, agirei com responsabilidade e respeito à Constituição. Meu compromisso é com a verdade, com as instituições e, acima de tudo, com as famílias paraguaias.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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