Ministério Público do Paraguai abre investigação contra presidente Santiago Peña
Peña foi acionista do grupo proprietário do Ueno Bank, instituição que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos

O Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação contra o presidente Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), para apurar supostas irregularidades relacionas ao Ueno Bank. O Paraguai enfrenta uma intensa crise política e financeira após a intervenção e o fechamento de um dos principais bancos do país.
Mais cedo, Peña anunciou renúncia à Presidência do Paraguai, ao mesmo tempo em que a Câmara dos Deputados tramitavam um processo de impeachment contra ele. Até a última atualização desta reportagem, o Senado julgava se aceitaria o pedido de renúncia dele (entenda mais abaixo).
Peña foi acionista até março de 2025 do grupo proprietário do Ueno Bank, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 5 bilhões) em recursos públicos, incluindo dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde.
A oposição acusa Santiago Peña, entre outros pontos, de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.
O Ueno Bank fechou na terça-feira (3), após o Banco Central, na véspera, iniciar um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
No mesmo dia, manifestantes exigiram a devolução do dinheiro retido no banco e o impeachment de Peña e do vice dele, Pedro Alliana. O presidente do Banco Central renunciou ao cargo, enquanto oito diretores do Ueno Bank foram presos.
O procurador-geral do Estado, Emiliano Rolón, determinou a formação de uma equipe composta por agentes fiscais da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção.
O Ministério Público também solicitou relatórios financeiros e societários à Seprelad (Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro ou de Bens) sobre os 27 denunciados e 20 empresas.
Renúncia e impeachment de Peña
Em um vídeo publicado nas redes sociais, no início da tarde desta quinta-feira (5), Santiago Penã anunciou que renunciará à Presidência do Paraguai. Na ocasião, ele informou que este é um dos momentos mais difíceis da vida dele.
"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou. "Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação", acrescentou.
Mais cedo, o ex-presidente Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara dos Deputados anunciaram apoio ao processo de impeachment de Peña.
Com o anúncio da renúncia, o Congresso do Paraguai precisa aceitar a medida. A Câmara rejeitou a carta de renúncia de Peña, levando a decisão ao Senado. A Constituição do Paraguai estabelece que é prerrogativa do Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República e do vice-presidente.
A aprovação da abertura do processo de impeachment tem como intuito evitar que Peña mantivesse o foro privilegiado. O artigo 189 da Constituição garante um cargo vitalício de senador, sem poder de voto, mas com a garantia de imunidade parlamentar. No entento, esse cargo é cancelado em caso de impeachment.
Os deputados ainda rejeitaram abrir um processo de impeachment para o vice-presidente Pedro Alliana. Ele deve assumir a Presidência do Paraguai ainda nesta quinta-feira (5), durante a sessão extraordinária da Câmara e do Senado.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



