Governador da Califórnia, nos EUA, substitui penas de 548 presos condenados à morte
Decisão de Gavin Newson, divulgada em carta nesta quinta-feira (5), é um dos últimos movimentos do democrata enquanto governador; estado abriga o maior número de condenados à morte em todo o país

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, comutou as penas de todos os 548 prisioneiros condenados à morte, classificando a medida como moralmente condenável. Isso representa cerca de um quarto de todas as setenças de morte dos Estados Unidos. A medida foi divulgada em um carta aberta nesta quinta-feira (5), representando um dos últimos atos do democrata no cargo.
"As pessoas condenadas à morte na Califórnia causaram sofrimento indescritível às vítimas, suas famílias, comunidades e ao nosso estado como um todo. O mal que infligiram persiste por gerações. Muitos californianos sentem que aqueles que cometem crimes brutais merecem morrer. Mas, como governador, concluí que o estado não pode, moralmente, matá-los. No entanto, oro para que esta ação finalmente separe as memórias das vítimas desses crimes do destino daqueles que as prejudicaram. Agora podemos deixar esses criminosos morrerem no anonimato, enquanto nos lembramos e honramos para sempre suas vítimas", escreveu Newsom.
Ele converteu todas as sentenças de morte em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Mas, alguns casos exigirão a revisão na Suprema Corte e poderá enfretar contestações. A decisão de Newsom é a maior comutação coletiva de penas de morte na história dos Estados Unidos.
Entretanto, ele não é o primeiro governador a esvaziar o corredor da morte de um estado. Inclusive, a Califórnia não realiza uma execução há 20 anos: "Minha ação formalizou a moratória de fato sobre as execuções em vigor desde 2006, o último ano em que a Califórnia executou alguém", dizia o comunicado.
No entanto, o elevado número de pessoas condenadas à morte na Califórnia torna a decisão de Newsom significativa. Uma reportagem do New York Times indica que o estado abriga o maior número de condenados à morte em todo o país. O movimento do democrata a apenas dois meses de deixar o cargo acontece em um momento em que avalia uma possível candidatura à Presidência dos EUA.
A medida pode torná-lo um candidato mais atraente para os eleitores progressistas nas primárias do Partido Democrata, mas, por outro lado, provavelmente o deixará vulnerável a críticas em uma eleição geral.
Caso Christa Pike
A decisão de Gavin Newsom acontece cerca de dois meses depois de uma condenada à morte no Tennessee ter sobrevivido a duas injeções letais. O episódio tensionou questionamentos sobre as execuções nos Estados Unidos.
Christa Pike, após ter sobrevivido, passou uma semana inteira hospitalizada, respirando com ajuda de aparelhos, e voltou à prisão. O Tennessee anunciou a suspensão de execuções no estado.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



