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Banco digital que quebrou no Paraguai administrava US$ 850 milhões em dinheiro público

Quantia era destinada a recursos como dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde; crise no Ueno Bank deixou 3 milhões de clinetes sem acesso às contas bancárias, aplicativos e cartões

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Presidente Santiago Peña anunciou nesta que irá renunciar, após crise política e bancária no país
Presidente Santiago Peña anunciou nesta que irá renunciar, após crise política e bancária no país • Reprodução l AFP

O Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai e o maior banco digital do país, administrava quase US$ 850 milhões (cerca de R$ 5 bilhões) em recursos públicos, incluindo dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde. A quebra da instituição desencadeou uma crise política e financeira. O presidente Santiago Peña anunciou nesta quinta-feira (5) que irá renunciar.

Cerca de 3 milhões de pessoas foram afetadas pelo colapso, deixando os clientes sem acesso às próprias contas bancárias, aplicativos e cartões. Entre os afetados estão muitos brasileiros que vivem no Paraguai e dependem dos serviços da instituição. A crise provovou protestos nas ruas de Assunção.

Na terça-feira (3), manfiestantes exigiram a devolução do dinheiro retido no banco e o impeachment de Peña e do vice dele, Pedro Alliana. Com a repercussão do caso, o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, convocou uma sessão extraordinária para discutir a situação.

A crise também provocou mudanças na cúpula do sistema financeiro do Paraguai. O presidente do Banco Central renunciou ao cargo, enquanto oito diretores do Ueno Bank foram presos. Confira, abaixo, a cronologia dos acontecimentos:

  • 2 de novembro: o Banco Central do Paraguai (BCP) decretou a intervenção e liquidação do Ueno Bank após constatar severa insuficiência de capital e um rombo estimado em dezenas de milhões de dólares. As operações digitais, cartões e depósitos foram paralisados.
  • 3 de novembro: a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de executivos e ex-dirigentes da instituição (incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez). Pressionado pelas suspeitas de vista grossa na fiscalização, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia.
  • 4 de novembro: milhares de manifestantes ocuparam o entorno do Congresso e sedes bancárias em Assunção cobrando a liberação dos depósitos e a responsabilização do governo. O Senado aprovou medidas emergenciais para tentar antecipar a restituição aos poupadores. Peña indicou o economista Raúl Vera Bogado para tentar reestruturar a autoridade monetária.
  • 5 de novembro: partidos da oposição protocolaram o pedido de abertura de mpeachment contra Santiago Peña na Câmara dos Deputados, acusando o mandatário de improbidade administrativa, favorecimento e acobertamento institucional. Mais tarde, Peña anunciou nas redes sociais a renúncia à Presidência.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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