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Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai após colapso de banco digital

Decisão ocorre três dias após intervenção no Ueno Bank provocar protestos em massa e pedido de impeachment na Câmara dos Deputados; Peña afirma que decisão busca 'estabilidade' no país

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Presidente do Paraguai, Santiago Peña
Presidente do Paraguai, Santiago Peña • MEHMET ESER / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que renunciará ao cargo. A decisão acontece em meio a uma crise bancária e política, desencadeada há poucos dias, após a intervenção e o fechamendo do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país.

Mais cedo, o ex-presidente Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara dos Deputados anunciaram apoio ao processo de impeachment de Peña.

Com o anúncio da renúncia, o Congresso do Paraguai precisa aceitar a medida. Uma sessão sobre o assunto deve ser convocada. As informações foram divulgadas pela imprensa local.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Penã informou que este é um dos momentos mais difíceis da vida dele: "Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou.

"Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", adicionou.

O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o cargo.

Crise no Paraguai

A crise política e econômica vivenciada no Paraguai foi deflagrada pelo colapso e pela intervenção no Ueno Bank, a maior instituição financeira digital do país. O escândalo revelou fortes indícios de fraudes e conflito de interesses envolvendo o alto escalão do governo, provocando protestos populares e paralisando o sistema financeiro local.

Cronologia dos acontecimentos:

  • 2 de novembro: o Banco Central do Paraguai (BCP) decretou a intervenção e liquidação do Ueno Bank após constatar severa insuficiência de capital e um rombo estimado em dezenas de milhões de dólares. As operações digitais, cartões e depósitos foram paralisados.
  • 3 de novembro: a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de executivos e ex-dirigentes da instituição (incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez). Pressionado pelas suspeitas de vista grossa na fiscalização, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia.
  • 4 de novembro: milhares de manifestantes ocuparam o entorno do Congresso e sedes bancárias em Assunção cobrando a liberação dos depósitos e a responsabilização do governo. O Senado aprovou medidas emergenciais para tentar antecipar a restituição aos poupadores. Peña indicou o economista Raúl Vera Bogado para tentar reestruturar a autoridade monetária.
  • 5 de novembro: partidos da oposição protocolaram o pedido de abertura de mpeachment contra Santiago Peña na Câmara dos Deputados, acusando o mandatário de improbidade administrativa, favorecimento e acobertamento institucional. As forças de segurança reforçaram o cerco ao centro da capital diante do risco de escalada dos conflitos sociais.
396 Depositantes do Ueno Bank manifestam-se diante de policiais durante um protesto após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição, em Assunção, no dia 3 de novembro de 2026 • Foto de DANIEL DUARTE / AFP
396 Depositantes do Ueno Bank manifestam-se diante de policiais durante um protesto após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição, em Assunção, no dia 3 de novembro de 2026 • Foto de DANIEL DUARTE / AFP
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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