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Papa Leão XIV inicia viagem de 11 dias pela América do Sul

Pontífice visitará Uruguai, Argentina e Peru em roteiro que inclui encontros com autoridades, fiéis e pessoas em situação de vulnerabilidade

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151O Papa Leão XIV saúda a multidão durante a audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 21 de outubro de 2026. • Tiziana FABI / AFP

O papa Leão XIV iniciou nesta sexta-feira (6) uma viagem de 11 dias pela América do Sul. O roteiro inclui visitas ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, países que fazem parte da trajetória religiosa do pontífice, especialmente por sua atuação missionária em território peruano.

Aos 71 anos, o líder da Igreja Católica embarcou no Aeroporto de Fiumicino, em Roma, com destino a Montevidéu. Sorridente, acenou para as pessoas que acompanhavam sua partida. O avião papal decolou pouco depois das 3h (horário de Brasília).

Durante a viagem, Leão XIV tem encontros previstos com autoridades políticas, religiosos, presos e pessoas em situação de vulnerabilidade, além de antigos amigos.

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, ele passou quase duas décadas no Peru como missionário, período em que construiu uma relação próxima com a população e com a Igreja local.

Na quarta-feira (4), o pontífice afirmou que aguardava com entusiasmo o reencontro com países que considera "tão queridos". Também manifestou a expectativa de que a viagem contribua para fortalecer a fé, renovar a esperança e estimular a solidariedade diante de desafios como desigualdade social, violência, queda da natalidade e redução da presença católica.

O roteiro ocorre poucas semanas depois de o papa passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor cancerígeno em um pulmão. Segundo o Vaticano, os médicos autorizaram a viagem e não recomendaram cuidados adicionais além dos procedimentos habituais em deslocamentos papais.

Uruguai: segurança reforçada e expectativa pela visita

A primeira parada será no Uruguai, considerado um dos países mais laicos da América Latina e um dos menores e mais prósperos da região.

Para receber o pontífice, as autoridades prepararam uma operação especial de segurança, com a mobilização de quase 5 mil policiais e mais de mil militares.

Em Montevidéu, Leão XIV deverá percorrer parte da cidade em um papamóvel adaptado, reunir-se com o presidente Yamandú Orsi e receber as chaves da capital.

Segundo o cardeal Daniel Sturla, arcebispo de Montevidéu, a expectativa pela visita ultrapassa os limites da comunidade católica.

A programação inclui missas nas cidades de Paysandú, no noroeste, e Florida, no centro-sul, além de uma vigília no Estádio Centenário, em Montevidéu. A procura foi tão grande que os ingressos disponibilizados inicialmente se esgotaram rapidamente, levando a Igreja a abrir novas vagas.

A visita também ocorre em um contexto de diferenças entre a legislação uruguaia e as posições tradicionais da Igreja Católica. O país permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a eutanásia, legalizada em 2025.

Analistas avaliam que o papa poderá abordar temas como a defesa da vida e da família. Outro assunto que pode ganhar espaço é a saúde mental, já que o Uruguai registra a maior taxa de suicídios da América Latina. A expectativa é que o tema seja considerado durante a passagem pelo bairro de Casavalle, em Montevidéu, marcado por índices elevados de pobreza e violência.

Argentina: visita marcada pelo legado do papa Francisco

No domingo (8), Leão XIV seguirá para a Argentina, país natal de seu antecessor, o papa Francisco. O pontífice argentino não retornou à sua terra natal durante os anos em que esteve à frente da Igreja Católica, o que gerou frustração entre parte da população.

Para o especialista americano Christopher White, autor de um livro sobre Leão XIV, a viagem representa uma espécie de retorno simbólico à região.

Segundo ele, enquanto Francisco, primeiro papa latino-americano da história, não voltou à Argentina durante seu pontificado, Leão XIV, que também possui nacionalidade peruana, assume parte desse legado de aproximação com a América Latina.

Peru: reencontro com a trajetória missionária

A última etapa da viagem será o Peru, onde o papa deve chegar na quarta-feira (11). O país tem uma ligação especial com a trajetória de Leão XIV, que viveu quase 20 anos no território antes de assumir o pontificado.

A visita tem provocado grande mobilização entre os peruanos. Em Lima, comerciantes vendem camisetas e rosários com a imagem do pontífice, enquanto padarias oferecem pães batizados em sua homenagem. Em um presídio, detentas também confeccionam bonecos com a figura do papa.

Na cidade portuária de Callao, uma estátua de 14 metros de altura de Leão XIV foi inaugurada em homenagem à visita.

O roteiro inclui ainda passagens por Cusco, antiga capital do Império Inca, e pela região da floresta amazônica.

Além dos compromissos oficiais, o pontífice deverá reencontrar pessoas e lugares ligados à época em que ainda era conhecido como Robert Francis Prevost. Entre os compromissos estão um jantar com padres de sua antiga diocese de Chiclayo e uma visita particular a uma capela cuja reconstrução ele ajudou a promover.

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