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A crise bancária no Paraguai que derrubou o presidente e afetou 3 milhões de pessoas

País enfrenta uma crise bancária com a liquidação do Ueno Bank, principal banco digital, que levou à renúncia do presidente Santiago Peña; ações foram bloqueadas, milhões de usuários afetados e investigações criminais foram abertas

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Depositantes do Banco Ueno exibem uma faixa com os dizeres "Impeachment político do presidente Santiago Peña já!".
Depositantes do Banco Ueno exibem uma faixa com os dizeres "Impeachment político do presidente Santiago Peña já!". • Daniel Duarte / AFP

O Paraguai enfrenta uma grave crise bancária que levou à renúncia do presidente Santiago Peña e à liquidação do Ueno Bank, principal banco digital do país, nesta semana. A instabilidade, marcada pela insolvência da instituição financeira e o bloqueio das contas de 3 milhões de usuários, motivou uma investigação criminal por supostas irregularidades.

Na última terça-feira (3), o Banco Central (BC) do Paraguai iniciou o processo de liquidação do principal banco digital do país, Ueno Bank, após entender que a solvência de seu sistema era menos da metade do mínimo exigido para a operação de uma instituição financeira.

Os desdobramentos do atual caso do banco paraguaio trazem ainda semelhanças com o ocorrido com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, no final do ano passado – instituição brasileira liquidada pelo Banco Central em 2025 por apresentar grave crise de liquidez no conglomerado e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira.

Após a liquidação, as contas dos 3 milhões de usuários do Ueno foram bloqueadas e os ativos e passivos foram congelados. Esse número corresponde a quase metade dos 6,5 milhões de pessoas que habitam no país. O banco digital ainda era responsável por administrar US$ 850 milhões em fundos públicos do Paraguai, e boa parte dos clientes afetados são aposentados.

O Ueno cresceu rapidamente e, nos últimos meses, enfrentou análise regulatória devido a supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez – responsável pela instituição financeira –, o que deixou os investidores apreensivos e afetou negativamente tanto os títulos em dólares do Ueno com vencimento em 2031 quanto os títulos soberanos do Paraguai.

A dissolução da instituição causou pânico na população, assim como falhas em aplicativos, grandes filas para a retirada de dinheiro no dia seguinte da ação do BC paraguaio e o aumento de pressão sobre o governo de Santiago Peña, que era sócio do grupo proprietário do banco até março de 2025.

Como resposta, o presidente paraguaio solicitou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. Nos últimos meses, vários parlamentares pediram a demissão da alta administração do banco central após rejeitarem um relatório sobre a instituição que, segundo eles, estava incompleto.

Além disso, 35 deputados opositores apresentaram oficialmente um pedido de impeachment de Peña e seu vice. No entanto, nesta quinta-feira (5), o presidente do país apresentou sua renúncia do cargo.

Segundo a imprensa paraguaia, o Congresso do país ainda precisa aceitar a renúncia. Uma sessão sobre o assunto deve ser convocada. O Ministério Público do Paraguai ainda solicitou uma investigação criminal sobre os eventos envolvendo o banco Ueno, ordenou a prisão de 8 pessoas ligadas ao banco e imputou 27 pessoas pelo suposto vínculo com irregularidades financeiras no banco.

Segundo Peña e o Banco Central, o Ueno é um caso isolado e "não do sistema financeiro nacional", adicionou o presidente paraguaio. Ele acrescentou que os responsáveis "devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios". A Superintendência de Bancos, por sua vez, nomeará auditores para verificar a situação patrimonial do Ueno.

Já a Asoban (Associação de Bancos do Paraguai) informou que as instituições financeiras estavam trabalhando para atender ao grande volume de clientes que estão transferindo suas contas do banco Ueno e ressaltou que o sistema bancário continuava "operando normalmente".

No entanto, o caso ainda ameaça a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte vindo do Brasil. Em 2026, o Banco Mundial projeta crescimento de 4,7% no Produto Interno Bruto (PIB) paraguaio, expansão sustentada pela melhora nas condições de segurança, consolidação fiscal e investimento privado.

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