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Governistas deixam sessão, e Congresso do Paraguai suspende análise sobre renúncia de Peña

Câmara aprovou o impeachment do presidente; o vice-presidente, Pedro Alliana, teve seu impeachment rejeitado e está apto a assumir o governo. A crise é ligada ao fechamento do banco Ueno, onde Peña foi acionista

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Deputados paraguaios permanecem de pé ao final da sessão extraordinária, devido à falta de quórum, para a votação sobre a renúncia do presidente Santiago Peña no Congresso Nacional, em Assunção
Deputados paraguaios permanecem de pé ao final da sessão extraordinária, devido à falta de quórum, para a votação sobre a renúncia do presidente Santiago Peña no Congresso Nacional, em Assunção • Daniel Duarte / AFP

O Congresso do Paraguai suspendeu, na tarde desta quinta-feira (5), uma sessão conjunta para analisar a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña. A paralisação ocorreu após parlamentares governistas deixarem o plenário, gerando falta de quórum para a votação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña informou que tomou a decisão "pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas".

Paralelamente à análise da renúncia, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou o impeachment do presidente por unanimidade, com 78 votos a favor. O processo agora avança para o Senado. A oposição defende o impeachment em vez da renúncia para que Peña não tenha imunidade parlamentar.

Pela Constituição paraguaia, presidentes se tornam senadores vitalícios ao deixar o cargo. Eles não têm direito a voto, mas podem participar das sessões no Senado e possuem foro privilegiado, o que impede processos na Justiça comum. Caso sofra impeachment, Peña não terá direito ao cargo de senador vitalício e à imunidade.

A renúncia e o processo de impeachment

O Partido Colorado, legenda de Santiago Peña, havia anunciado nesta quinta-feira (5) que apoiava a remoção do presidente, justificando que a medida poderia restaurar a ordem institucional no país. Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado, publicou uma carta nas redes sociais com a declaração, destacando que a sigla não irá tolerar "o roubo de fundos públicos, privados e de pensões".

Também nesta quinta-feira (5), a Câmara de Deputados do Paraguai rejeitou o pedido de impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país. Foram 48 votos pela rejeição e 30 a favor. Agora, ele está posicionado para assumir o governo paraguaio.

O vice-presidente

Aos 52 anos, Alliana acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo. Foi governador entre 2008 e 2012 e atuou na Câmara dos Deputados entre 2013 e 2023. Nesse período, assumiu a presidência da Casa em diferentes momentos, além de liderar o Partido Colorado, a principal força política do país, entre 2015 e 2023. Na cadeira de vice-presidente, Alliana tem acumulado funções relacionadas à política externa do Paraguai.

A crise

A crise se aprofundou após o banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechar suas portas na terça-feira (3). O Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. "Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou", disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.

Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo. "Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", afirmou ele.

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