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Mais de 20 mil venezuelanos recorreram aos serviços públicos de acolhimento após terremotos

Ao todo, são 106 acampamentos montados em todo o país em serviços que mesclam quartos coletivos, consultórios médicos e atividades de recreação

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Mais de 20 mil venezuelanos recorreram ao serviços públicos de acolhimento após terremotos • João Felipe Lolli / Itatiaia

Mais de 20 mil venezuelanos recorreram aos serviços públicos de acolhimentos após os terremotos que devastaram a Venezuela no dia 24 de junho, segundo dados divulgados pelo governo. Ao todo, são 106 acampamentos montados em todo o país com serviços que mesclam quartos coletivos, consultórios médicos, atividades de recreação para crianças e, até mesmo, um espaço dedicado ao acolhimento de animais de estimação das pessoas atingidas.

A reportagem da Itatiaia está em Caracas, capital venezuelana, onde acompanha a situação no país. Segundo último levantamento divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, nesta quarta-feira (15), o número de mortos em decorrência dos tremores de terra subiu para 4.829. Enquanto isso, o número de feridos permaneceu em 16.740. Outras 17.907 pessoas continuam desabrigadas. Ao menos 18 mil pessoas perderam as próprias casas.

Para a fisioterapeuta Juseph Vargas, de 56 anos, que perdeu a casa no terremoto e teve que se alojar temporariamente em um abrigo instalado em uma escola pública da periferia de Caracas, o coração dela “se partiu” durante a tragédia e relembrar a situação é como tocar em uma ferida ainda aberta. De acordo com ela, é difícil dividir quarto com desconhecidos, mas, em pouco tempo, passou a vê-los como família.

“Meu coração ainda se parte, perdi minha casa, estou acolhida com pessoas que não conheço, mas queremos ser uma família apesar de tudo o que passamos. Não é fácil, mas também não é impossível. Somos a Venezuela, somos venezuelanos. Estamos sendo muito bem atendidos”, contou à Itatiaia.

De acordo com o presidente do Banco do Tesouro, Jimmy Ojeda, os acampamentos possuem capacidade para 25 mil pessoas e, até o momento, já contam com 20.500 famílias abrigadas. Dos 106 acampamentos montados, 40 estão em Caracas, 28 em La Guaira, região mais atingida, outros 28 em Miranda e mais 10 em Aragua.

“O acampamento temporário José Gervasio Artigas tem em um objetivo primordial e fundamental de garantir que todas as famílias abrigadas aqui, afetadas de maneira direta nos terremotos de 24 de junho, possam contar com as condições ideais para o tempo que forem ficar aqui… possam contar com um espaço para dormir e para poder comer dignamente”, afirmou.

Juseph Vargas confirmou ser muito auxiliada pela iniciativa, mas afirmou ansiar pelo momento em que irá rever a família e voltará para casa.

“Acho que todos nós queremos nossas casas, estar com nossas famílias, sentir que não vamos incomodar ninguém para que ninguém se sinta desconfortável. (...) No momento, estou esperando algo para começar a trabalhar aqui. Estou vivendo um dia de cada vez, porque não sabemos o que vai acontecer amanhã. Mas sei que o governo e as pessoas estão nos ajudando para que, daqui a 2 ou 3 meses, eu possa estar no meu lar novamente, ser eu mesma, estar com meus filhos, com a minha família”, afirmou.

Juseph Vargas perdeu a casa no terremoto e vive em um abrigo montado em uma escola pública da periferia de Caracas, capital venezuelana • João Felipe Lolli / Itatiaia
Juseph Vargas perdeu a casa no terremoto e vive em um abrigo montado em uma escola pública da periferia de Caracas, capital venezuelana • João Felipe Lolli / Itatiaia

Música como suporte

Uma das ferramentas utilizadas para ajudar na recuperação dos atingidos é a música. De acordo com a coordenadora do Sistema de Orquestras da Venezuela, Odalis Padilla, a iniciativa surgiu com a missão inclusiva de que a música não fosse elitista, mas que chegasse a todos os setores e a todas as crianças.

À Itatiaia, Padilla ressaltou que, em momentos de dificuldade, como o enfrentado pelo país em decorrência dos terremotos, a música é um suporte e uma ajuda fundamental.

“Ultimamente tem sido demonstrado através de estudos que os músicos também são pessoas de alto rendimento, isso não fica limitado apenas aos atletas. Porque a música preenche o espírito das crianças, traz tranquilidade, traz paz, e é por isso que nós estamos aqui nestes momentos tão sensíveis para o nosso país”, explicou.

A coordenadora já observa talentos entre os participantes da iniciativa e mira na produção de apresentações para as pessoas que estão no abrigo. “Temos crianças muito talentosas. Temos crianças que descobrimos hoje mesmo que, só com uma aula de tambor, já pensamos em montar um grupinho de afro para que elas mesmas façam uma apresentação para as pessoas que estão aqui”, disse.

Coordenadora do Sistema de Orquestras da Venezuela, Odalis Padilla, • João Felipe Lolli / Itatiaia
Coordenadora do Sistema de Orquestras da Venezuela, Odalis Padilla, • João Felipe Lolli / Itatiaia

O amor e a responsabilidade das cozinheiras

Os venezuelanos abrigados nos serviços públicos de acolhimento não precisam se preocupar com um ponto muito importante da rotina: a alimentação. Para a cozinheira voluntária da iniciativa, Dubraska Sandoval, de 55 anos, preparar pratos para pessoas que foram profundamente afetadas pelos terremotos é uma grande responsabilidade.

As arepas, um prato primordial para o café da manhã e jantar venezuelano, é uma das principais receitas preparadas por ela. De acordo com ela, as arepas não podem faltar nas casas do país. “Ainda mais agora que temos essa grande responsabilidade em atender os nossos irmãos que passaram por esse terremoto que afetou a todos nós de uma forma ou de outra”, disse.

A receita é composta por farinha de milho pré-cozida, água morna e sal. "As arepas podem acompanhar tudo", confirmou Sandoval.

Cozinheira voluntária Dubraska Sandoval, de 55 anos • João Felipe Lolli / Itatiaia
Cozinheira voluntária Dubraska Sandoval, de 55 anos • João Felipe Lolli / Itatiaia

Terremotos tiveram um intervalo menor que 1 minuto

Dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na noite do dia 24 de junho. Os fenômenos aconteceram com menos de um minuto de diferença e desencadearam pelo menos 20 réplicas (tremores menores) nas horas seguintes, segundo o governo do país.

O epicentro do tremor mais forte foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. La Guaira, uma cidade litorânea nos arredores de Caracas, foi a mais atingida, com pelo menos 100 edifícios, incluindo prédios de apartamentos de vários andares, desabando.

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo