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Ormuz paralisado: tensão máxima e novos bombardeios desfazem acordo entre EUA e Irã

Em menos de um mês, após breve protocolo de paz, Washington e Teerã retomam hostilidades; 'Mataremos Trump", prometem iranianos

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Imagem ilustrativa do Estreito de Ormuz • AFP Photo / HO / SepahNews

Pouco mais de três semanas após a assinatura de um protocolo que deveria encerrar os combates iniciados em fevereiro, os Estados Unidos e o Irã retomaram os confrontos com força total nesta quarta-feira (15).

O ponto crítico da crise é o Estreito de Ormuz, uma das artérias comerciais mais cruciais do planeta, por onde transitavam 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mundiais antes do conflito. O Irã fechou a rota no fim de semana e garantiu que o tráfego continuará bloqueado até que os ataques americanos cessem.

"Um protocolo de acordo só faz sentido quando suas cláusulas são válidas e aplicadas. Se a República Islâmica do Irã não vai obter nenhum benefício, não temos nenhuma razão para aderir", Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador-chefe do Irã.

Escalada militar: bombas e um navio neutralizado

A quarta-feira foi marcada por ações militares coordenadas e retaliações rápidas de ambos os lados:

  • Bombardeios americanos: Washington lançou duas ondas de ataques aéreos contra a costa iraniana para minar a capacidade de Teerã de fustigar embarcações comerciais.

  • Cidades atingidas: as explosões atingiram a cidade portuária de Bushehr (sede da única usina nuclear iraniana), Bandar Abbas, Rask, Chabahar e a ilha de Qeshm.

  • O petroleiro: um navio petroleiro vazio com bandeira de Curaçao tentou furar o bloqueio americano aos portos iranianos e acabou "neutralizado" por disparos de um caça dos EUA.

  • Baixas: o Exército do Irã confirmou a morte de sete militares em Iranshahr. Teerã estima que mais de 30 civis perderam a vida desde o reinício dos confrontos.

Efeito dominó na região e nos mercados

O conflito já transborda as fronteiras e gera alerta nos países vizinhos:

  • Alerte geral: o Kuwait interceptou drones iranianos nas primeiras horas de quinta-feira naquele país, enquanto sirenes antiaéreas soaram no Bahrein. No Iraque, forças curdas e a coalizão liderada pelos EUA abateram oito drones sobre Erbil.

  • Petróleo sob pressão: apesar do estrangulamento logístico no Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo Brent manteve-se estável na casa dos 85 dólares nesta quarta-feira, após fortes altas no início da semana.

Diplomacia do caos: 'Mataremos Trump'

O cenário político oscila dramaticamente entre canais diplomáticos e hostilidade aberta. O presidente americano, Donald Trump, confirmou que o Irã libertou uma cidadã americana detida desde dezembro de 2024, agradecendo o "gesto de boa vontade".

A cordialidade, contudo, parou por aí. O aceno ocorreu logo após Trump alertar que as coisas ficariam "realmente muito feias" para o Irã caso o país não ceda às negociações.

Em Teerã, a resposta foi visual: um enorme cartaz instalado no centro da capital exibe o presidente americano dentro de um caixão ao lado da frase: "Mataremos Trump".

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Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo UniBH e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela PUC Minas. Trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.