Venezuelana conta tristeza ao descobrir que amiga desaparecida foi soterrada em La Guaira
Número de mortes após tremores subiu para 4.561, enquanto quantidade de feridos ficou em 16.740; tragédia deixou um rastro de destruição no país

A tristeza e tensão que esteve presente na Venezuela desde o dia 24 de junho, quando dois terremotos atingiram o país, também marcou diversos venezuelanos que vivem em outros países. Norma Carrillo, de 56 anos, mora no Brasil há 9 anos e lamenta como os tremores de terra devastaram a região onde viveu por boa parte da vida. Mais de 4 mil pessoas morreram em decorrência da tragédia, conforme última levantamento divulgado.
Em entrevista à Itatiaia, ela contou que uma amiga sobreviveu após o prédio em que vivia desabar. Antes de descobrir o paradeiro da amiga, Norma chegou a compartilhar uma publicação no Instagram sobre o desaparecimento dela.
“O apartamento dela desabou completamente sobre ela e ela ficou seriamente lesionada, com ferimentos no braço e quase perdeu o braço. Mas ela foi resgatada e agora está em processo de recuperação. A gente está fazendo uma campanha para ajudar ela porque ela ficou sem nada”, afirmou.
Para a venezuelana, os terremotos e a devastação causada pelo fenômeno foram muito chocantes. De acordo com Carrillo, ela nunca presenciou algo dessa magnitude enquanto viveu na Venezuela.
“Sempre que acontece uma tragédia e você tá longe, você pensa que não tem a ver com você, ou você se comove, mas neste momento, na verdade, foi uma coisa que mexeu com todos nós. Nos primeiros dias a gente tava chocada: acordava pensando nisso, e me deitava pensando nisso”, afirmou.
O irmão de um primo de Norma Carrillo foi uma das vítimas dos terremotos. Além dele, muitos familiares da venezuelana ficaram desabrigados. “Tenho familiares, amigos que ficaram sem casa, os prédios onde eles moravam desabaram completamente. Tenho familiares que perderam o emprego e fonte de renda”, contou.
Solidariedade
Em meio à tragédia, a solidariedade é que pode transformar a situação para Carrillo. Ela faz parte de uma Organização Não Governamental (ONG) no Brasil que arrecada medicamentos e fraldas em alguns lugares. “Alguns amigos da minha amiga fizeram uma vaquinha e a gente tem um grupo para cuidar de minha amiga e fazer doações para ela”, contou.
“O povo venezuelano demonstrou que é um povo solidário, que ele pode ser solidário, como está demonstrando, é que não desesperar, mas ter fé, resiliência e fortaleza. (...) nos primeiros momentos nós demonstramos, os venezuelanos, do que somos capazes de aguentar e de fazer uns por outros”, continuou.
Já a venezuelana Beatriz Rojas, de 65 anos, doutora em ciência da educação no Brasil, contou que sentiu muito ao descobrir sobre os terremotos. “Por ser venezuelana, é uma tristeza muito grande e uma dor na alma. É algo que, apesar de que não é minha família, mas é minha terra, é minha nação, são meus irmãos”, afirmou.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.




