Trump vai contra próprio governo e manda manter blitzes do ICE após morte de imigrantes
Depois de duas mortes nas últimas semanas, o Departamento de Segurança Interna havia divulgado que suspenderia este tipo de operação após a comoção causada pelos casos

O ICE — Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos — irá manter as operações nas estradas para combater a imigração irregular, afirmou o presidente do país, Doandl Trump, nesta quarta-feira (15). A decisão acontece um dia após a suspensão da prática depois da morte de dois imigrantes nas última semanas.
- Um colombiano, de 26 anos, morreu nessa segunda-feira (13), após levar tiros de um agente do ICE no Maine. Ele havia autorização para trabalhar nos EUA.
- Um mexicano, que vivia há anos em Houston, no Texas, também morreu durante uma abordagem pelo Serviço de Imigração e Alfândega do país.
Nos dois casos, os agentes afirmaram ter atirado porque os homens tentaram fugir e usaram veículos para escapar. Entretanto, as versões foram desmentidas momentos depois dos homicídios.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), ao qual o ICE está subordinado, havia divulgado na terça-feira (14), que suspenderia as operações diante da comoção causada pelas duas mortes.
Entretanto, no dia seguinte, Donald Trump escreveu, nas redes sociais, que o país não pode "abrir mão de uma das ferramentas mais importantes e eficazes do ICE contra o crime" — que seriam as blitzes de trânsito.
"A 'Esquerda Radical Democrata' gostaria que isso acontecesse, mas não vai ocorrer sob minha vigilância", acrescentou o líder estadunidense, usando uma expressão depreciativa em inglês para se referir à oposição.
A posição democrata considera que o ICE ultrapassa as atribuições e que as operações comandadas pelo órgão também prejudicaram imigrantes em situação regular.
Em resposta à violência, o governo mexicano anunciou, na semana passada, que apresentará denúncias criminais nos Estados Unidos contra o governo norte-americano — afirmando que 17 cidadãos mexicanos morreram em operações de detenção e deportação desde o retorno de Trump ao poder, em 2025.
Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou a morte do colombiano no Maine como "assassinato". "O que aconteceu no Maine foi um assassinato de um colombiano latino-americano pelas mãos do governo dos EUA", escreveu Petro nas redes sociais.

Mortes por agentes do ICE em 2026
As operações anti-imigratórias provocaram mortes não apenas de estrangeiros, mas também de estadunidenses que se opunham às ações.
Em janeiro, dois cidadãos estadunidenses também foram mortos por tiros disparados por agentes do ICE. Em um deles, Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
Semanas depois, também em Minneapolis, Alex Pretti, de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



