Lula e EUA têm última reunião antes de decisão sobre tarifaço
O governo Lula e o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) realizaram a última reunião antes da decisão sobre a aplicação de tarifas de 25% e 12,5% contra o Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou a última reunião com o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) antes da decisão norte-americana sobre a aplicação de uma tarifa de 25% contra o Brasil. A definição, que pode impactar milhares de produtos brasileiros sob ameaça, será divulgada nesta quarta-feira (15).
Em nota, o Planalto defendeu que as taxas, baseadas em uma investigação da chamada "seção 301", são "injustas". Os auxiliares do presidente teriam ainda criticado a tarifa de 12,5% que os norte-americanos ameaçam impor ao Brasil e mais 59 países por falta de controle sobre trabalho forçado, situação já criticada por procuradores dos Estados Unidos.
"Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado", escreveu o Planalto.
A equipe, composta por membros do Palácio do Planalto, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e do MRE (Ministério das Relações Exteriores), reuniu-se remotamente com o chefe do USTR, Jamieson Greer, na tarde anterior à decisão. Este foi o quinto encontro com o auxiliar de Donald Trump.
Conforme noticiado pela CNN Brasil, o governo Lula traça três cenários para a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de um novo tarifaço contra o Brasil, de acordo com auxiliares do presidente.
A um dia da data limite, o cenário mais provável é a aplicação da tarifa com base na investigação da "seção 301". A postura norte-americana nas reuniões do grupo de trabalho (GT) entre os países e o histórico negocial de Trump pesam para esta avaliação.
Os outros dois cenários considerados possíveis – mas menos prováveis – contemplam o adiamento da taxação, de acordo com fontes do governo federal.
Auxiliares de Lula não descartam que os EUA adiem as tarifas e citem a atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão, a fim de conferir uma vitória política ao pré-candidato ao Planalto. A hipótese considerada mais remota é de os norte-americanos postergarem as taxas sob o argumento de que é necessário mais tempo para negociar tecnicamente.
Uma das principais apostas brasileiras para evitar a taxa foi a apresentação aos norte-americanos de um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da "seção 301".
O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção ao controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o PIX é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.
Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto, apurou a CNN.
Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.
Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.
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