Lula diz ter sido surpreendido por tarifa dos EUA após reunião com Trump
Presidente afirma que havia acertado prazo de 30 dias para negociações antes de nova taxação americana.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) ter sido surpreendido pela nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, apesar de um acordo firmado anteriormente com o presidente americano, Donald Trump, para que divergências comerciais fossem negociadas por 30 dias antes de qualquer decisão.
A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, em meio à escalada da crise diplomática entre os dois países.
Segundo Lula, ele e Trump participaram de uma reunião de cerca de três horas acompanhados por ministros dos dois governos. Na ocasião, o petista disse ter proposto uma trégua para que equipes técnicas tentassem solucionar impasses na área comercial.
"Já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil tiver errado, eu sei voltar atrás, mas se você tiver errado, você volta atrás", afirmou o presidente. "Essa reunião ainda não concluiu nada, por isso está a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil", acrescentou.
O governo brasileiro tenta reverter a decisão anunciada nesta semana pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que recomendou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação sobre práticas comerciais adotadas pelo país. Posteriomente, o mesmo órgão também recomendou outra taxação, de 12,5%, para o Brasil e mais 59 países acusados de omissão no combate ao comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Na reunião, Lula afirmou que o Brasil optou por responder à medida por meio da negociação diplomática e contestou os argumentos apresentados por Washington.
"Nós não fizemos bravata, nós não fizemos discurso. Nós resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos Estados Unidos, mas a outros países e ao povo americano, a insensatez da punição ao Brasil", disse.
O presidente também criticou a forma como tomou conhecimento das medidas anunciadas por Trump.
"Eu fiquei sabendo da primeira taxação pelo Twitter", afirmou. "Um presidente telefona para o outro, ou manda uma carta oficial para o outro. Foi assim que sempre deveria acontecer."
Lula voltou a argumentar que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil e rejeitou a justificativa apresentada pelo governo americano para impor as tarifas.
"Se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos e não os Estados Unidos contra o Brasil", declarou.
O presidente ainda relatou que entregou pessoalmente a Trump quatro documentos com propostas de cooperação bilateral nas áreas de comércio, combate ao narcotráfico, minerais estratégicos e política internacional. Segundo ele, os textos foram repassados diretamente ao americano para evitar que fossem ignorados por assessores.
A fala de Lula ocorreu na abertura da segunda reunião ministerial do ano. Além da crise com os Estados Unidos, o encontro foi convocado para alinhar a atuação do governo antes do início das restrições previstas no calendário eleitoral, que passam a valer em julho.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



