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Brasil e Argentina enfrentam crise diplomática após ‘agressões’ de Milei a Lula

Ministro Mauro Vieira exigiu explicações do governo argentino e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas

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Brasil e Argentina enfrentam crise diplomática após ‘agressões’ de Milei a Lula
Milei deu declarações durante convenção do PL neste sábado (25) • Ricardo STUCKERT/AFP

Em uma crise diplomática, o Itamaraty convocou, neste domingo (26), o embaixador da Argentina no Brasil para repudiar e pedir explicações sobre as "agressões" do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades brasileiras, segundo comunicado oficial.

Brasília já tinha chamado para consultas seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, pelas declarações feitas na véspera por Milei durante a convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, na qual foi oficializada a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às eleições presidenciais de outubro.

Sem nomeá-los, Milei se referiu ao presidente Lula como “presidiário” e “ladrão” e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”.

Depois desta primeira medida do governo brasileiro, que costuma ser tomada frente aos problemas bilaterais com outro Estado, Milei dobrou a aposta e acusou, neste domingo, o "governo do Brasil" de ter financiado uma suposta "campanha anti-argentina", sem apresentar provas.

Brasília reagiu novamente com a convocação do embaixador argentino, Daniel Raimondi, para "transmitir a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios" de Milei durante o evento na véspera em São Paulo e "cobrar explicações sobre o comportamento do mandatário argentino".

Segundo o comunicado oficial, "não há precedente" de um "episódio infamante" como este, no qual "um presidente estrangeiro, em território nacional, envia agressões e ofensas ao Chefe de Estado" e outras instituições democráticas.

'Risco Lula'

Figura da direita latino-americana, Milei anunciou no evento no sábado (25), ao lado de seu aliado, Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), para "o risco Lula" nas eleições e pediu para o Brasil sair de "sua submissão ao esquerdista".

Neste domingo (26), Milei voltou a se referir ao Brasil, país vizinho e principal parceiro comercial da Argentina.

"Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-argentina... O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos vindos do governo do Brasil", afirmou Milei à rádio local Mitre, em uma aparente alusão às críticas contra seu país nas redes sociais durante a Copa do Mundo de futebol.

Milei garantiu que a "campanha" também foi "financiada" por outras "cabeças progressistas" do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.

“E depois veio me falar de interferência”, disse o presidente argentino, que sustentou que “um grupo de brasileiros mandado por Lula (...) jogaram ativamente” contra ele durante a campanha que o levou à Presidência em 2023.

Lula disse, neste domingo, em um ato com sindicalistas, que continuará governando "sem ingerência de ninguém" porque "aqui no Brasil a gente não aceita que ninguém meta o nariz onde não é chamado", sem entrar em detalhes.

Desde 2025, o presidente Lula mantém uma relação marcada por altos e baixos com o governo de seu par americano, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro e de Milei.

Washington impôs tarifas e avaliações contra o Brasil, interpretadas pelo governo brasileiro como tentativa de interferência política.

'Referência desrespeitosa'

Sem nomear o ministro Alexandre de Moraes, Milei também disse no sábado, em São Paulo, que o “lixo careca” o impediu de visitar seu “amigo preso injustamente” Jair Bolsonaro, preso pela tentativa de golpe de Estado em 2022.

Considerado inimigo do 'bolsonarismo', Moraes tinha negada a permissão de Milei para visitar Bolsonaro em sua prisão domiciliar em Brasília.

As declarações de Milei também provocaram o repúdio do presidente do STF, o ministro Edson Fachin, que criticou, em nota, sua "referência desrespeitosa" a Moraes e condenou suas "manifestações incompatíveis com a civilidade que devem caracterizar as relações entre os Estados".

Lula mantém uma relação fria com Milei desde que o argentino assumiu a Presidência, em 2023. Embora os dois tenham se cruzado em eventos multilaterais, eles nunca tiveram uma reunião bilateral.

Em sua última viagem à Argentina, em 2025, Lula visitou a ex-presidente e atual opositora Cristina Fernández de Kirchner, em prisão domiciliar por corrupção.

*Com informações de AFP

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