Lula reúne ministros para discutir reação após novo tarifaço dos EUA
Encontro no Planalto deve tratar da resposta às medidas anunciadas por Washington e alinhar a atuação do governo antes do início das restrições do calendário eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne seu time de ministros nesta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto, em meio à crise diplomática provocada pela novo tarifaço impostos pelos Estados Unidos contra o Brasil e a pouco mais de um mês do início das restrições previstas no calendário eleitoral.
A reunião, marcada para as 10h, será a segunda ministerial realizada neste ano. Embora tenha sido convocada antes dos anúncios feitos pelo governo americano nesta semana, integrantes do Planalto afirmam que o encontro deve abordar os possíveis impactos das medidas adotadas por Washington e a resposta do governo brasileiro.
O encontro também ocorre em um momento de reorganização política da gestão petista. A primeira reunião ministerial de 2026 foi realizada em março, após uma reforma que promoveu mudanças no comando de 18 ministérios, em razão da saída de titulares que disputarão as eleições de outubro.
Segundo auxiliares do presidente, Lula pretende usar a reunião para alinhar a atuação dos ministros nos meses que antecedem a campanha eleitoral. A partir de 4 de julho, passam a valer uma série de restrições impostas pela legislação eleitoral. Entre elas está a proibição de participação do presidente em inaugurações de obras públicas.
A agenda ocorre dois dias após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos concluir uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil.
A proposta prevê exceções para itens considerados estratégicos para a economia americana, como carne bovina, café, frutas, aeronaves e minerais de terras raras.
O governo brasileiro reagiu à medida. Em nota divulgada na terça-feira (2), o Palácio do Planalto classificou como "injustificável" a recomendação do órgão americano e atribuiu a investigação à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Lula também elevou o tom nas declarações públicas. Durante agenda em Catalão (GO), o presidente afirmou esperar um contato do presidente americano, Donald Trump, para discutir o tema e voltou a defender o Pix, um dos pontos citados pelos Estados Unidos na investigação comercial.
O petista acusou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de atuarem junto ao governo americano contra interesses brasileiros. A declaração provocou reação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou ter pedido a autoridades americanas que evitassem medidas capazes de atingir empresas brasileiras.
Flávio também encaminhou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual argumenta que novas sanções comerciais poderiam agravar a situação econômica do país.
Além da disputa comercial, o governo acompanha os desdobramentos da decisão americana de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.
A expectativa no Planalto é que a reunião sirva para coordenar a atuação dos ministérios diante da crise com os Estados Unidos e preparar o governo para o período de restrições que antecede a eleição.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



