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Lula chama filhos de Bolsonaro de 'traidores da pátria' após tarifaço dos EUA

Presidente associa ameaça de taxação americana à atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Por, Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou nesta terça-feira (2) os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de "traidores da pátria" e "vendilhões da pátria" ao comentar a ameaça dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em discurso durante agenda em Catalão (GO), Lula associou a medida à recente viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos, onde os dois estiveram com o presidente Donald Trump na semana passada.

Sem apresentar provas, o presidente afirmou que integrantes da família Bolsonaro teriam atuado junto ao governo americano para pressionar o Brasil e interferir em decisões internas do país.

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer, alto e bom som: são traidores", declarou.

Lula também afirmou que a eventual taxação não atingiria apenas o governo federal, mas empresários, produtores rurais e trabalhadores brasileiros.

"Ele não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários brasileiros e o nosso agronegócio", disse o presidente, em referência aos adversários políticos.

As declarações ocorrem um dia após o governo dos Estados Unidos concluir uma investigação comercial aberta em 2025 e recomendar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório cita o Pix entre as práticas que supostamente "oneram ou restringem" o comércio americano, além de apontar questões relacionadas ao combate à pirataria, à concessão de patentes, ao desmatamento ilegal e à aplicação de leis anticorrupção.

 

A proposta ainda não entrou em vigor. Antes da decisão final, o governo americano realizará consultas públicas e audiências. O prazo estabelecido para a definição das medidas é 15 de julho.

Reação política

A fala de Lula reforça uma narrativa que vem sendo adotada por parlamentares governistas desde a divulgação da recomendação americana. Integrantes da base do governo passaram a relacionar a medida à aproximação da família Bolsonaro com Donald Trump e ao encontro realizado na Casa Branca na semana passada.

Nas redes sociais, a expressão "Tariflávio" figurou entre os assuntos mais comentados do dia. Parlamentares como Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP) atribuíram à atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro parte da responsabilidade pela escalada da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A ofensiva ganhou força após a divulgação de que o Pix foi citado na investigação americana. Governistas passaram a defender o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e a acusar integrantes da oposição de atuarem contra interesses nacionais.

O que diz Flávio Bolsonaro

Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro rejeitou as acusações e afirmou que, durante sua reunião com Donald Trump, pediu expressamente que empresas brasileiras não fossem alvo de novas tarifas.

O senador disse ainda que o governo Lula tem tempo para negociar uma saída diplomática antes da possível entrada em vigor das medidas e defendeu setores estratégicos da economia nacional, incluindo o agronegócio, o etanol e o próprio Pix.

Segundo Flávio, não seria justo penalizar empresas brasileiras em razão de divergências políticas ou comerciais entre os dois países.

Governo reage

Diante da ameaça de novas tarifas, o governo federal convocou nesta terça-feira uma reunião de emergência na Vice-Presidência da República. Participaram do encontro integrantes da equipe econômica, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da articulação política e da comunicação do governo.

A expectativa do Planalto é construir uma estratégia de negociação com Washington antes da data-limite de 15 de julho, quando os Estados Unidos devem decidir se implementarão ou não as novas barreiras comerciais contra o Brasil.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio