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Novo 'tarifaço' dos EUA alimenta ofensiva de governistas contra Flávio Bolsonaro

Após anúncio de nova ofensiva comercial dos EUA, governistas impulsionaram a hashtag "Tariflávio" e acusaram o senador de agir contra interesses brasileiros.

Por, Brasília
Encontro entre Flávio Bolsonaro (PL) e Donald Trump na Casa Branca • Divulgação

A ameaça do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a conclusão de uma investigação comercial que cita o Pix entre as práticas que supostamente prejudicam empresas americanas ampliaram os ataques de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da república.

Parlamentares governistas passaram a relacionar a iniciativa americana à aproximação da família Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na semana passada, Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro participaram de um encontro com o republicano na Casa Branca.

Nas redes sociais, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que a nova ameaça tarifária seria resultado da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Sem apresentar provas, a petista classificou como "criminoso" o que chamou de ação da família Bolsonaro contra os interesses brasileiros e voltou a defender o Pix, citado no relatório americano.

"O Pix é nosso, veio para ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro", escreveu.

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) também associou a decisão do governo americano ao encontro entre Trump e integrantes da família Bolsonaro. Para ela, o documento divulgado pelos EUA demonstra interesse em enfraquecer o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

"Isso é a família Bolsonaro. Uma gentinha que, em troca de uma nova mamata, do próximo cargo político e do apoio estrangeiro em uma eleição, é capaz de leiloar o país", disparou a deputada.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) seguiu a mesma linha. Segundo ele, os Estados Unidos questionam o Pix por considerarem que o sistema favorece uma solução pública em detrimento de empresas privadas de meios de pagamento. O parlamentar acusou Flávio e Eduardo Bolsonaro de atuarem contra interesses nacionais.

"Quem faz política internacional contra o próprio país não pode depois fingir surpresa quando interesses estrangeiros avançam sobre conquistas nacionais", disse.

 

Nas redes, as expressões "O Pix é nosso" e "Tariflávio" figuraram entre os assuntos mais comentados desta terça-feira (2) na plataforma X.

Flávio rejeita críticas

Em entrevista à Rádio Itatiaia, Flávio Bolsonaro negou qualquer relação com a proposta americana e afirmou que, durante sua reunião com Trump, pediu que medidas tarifárias não atingissem empresas brasileiras.

O senador disse ainda que o governo Lula dispõe de tempo para negociar uma solução antes da eventual entrada em vigor das tarifas e defendeu setores considerados estratégicos para a economia nacional, como o agronegócio, o etanol e o próprio Pix.

Segundo ele, um eventual governo sob seu comando teria condições de negociar com os Estados Unidos em melhores condições.

O que está em jogo

A nova rodada de tensão comercial ocorre após a conclusão de uma investigação aberta pelo governo Trump em julho de 2025. O relatório sustenta que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano.

Além do Pix, o documento menciona desmatamento ilegal, demora na concessão de patentes, falhas no combate à pirataria e problemas na aplicação de normas anticorrupção.

Com base nessas conclusões, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A proposta, porém, prevê exceções para alguns setores, como café, carne bovina, frutas, aeronaves e minerais considerados estratégicos.

Antes da decisão final, o governo americano realizará consultas públicas e audiências. O prazo estabelecido para a definição das medidas é 15 de julho.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio