Conheça a carreira política de Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do RN
Ex-prefeito de Mossoró deixou o cargo para disputar o comando do estado nas eleições de 2026

Depois de conquistar duas eleições consecutivas para a Prefeitura de Mossoró, incluindo uma reeleição com mais de 78% dos votos válidos, Allyson Bezerra (União Brasil) deixou o Executivo municipal em março de 2026 para disputar o Governo do Rio Grande do Norte.
O pré-candidato é engenheiro civil, servidor público e ex-deputado estadual. Construiu a carreira política com um discurso de renovação, oposição aos grupos familiares tradicionais do estado e defesa de um modelo de gestão baseado no controle das contas públicas, na digitalização dos serviços e na execução de obras.
Bezerra é de Mossoró, filho de agricultores, fez o curso técnico em Edificações no Instituto Federal do Rio Grande do Norte e graduou-se em Ciência e Tecnologia e Engenharia Civil pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido, a Ufersa. Antes de entrar na política eleitoral, atuou como servidor da Ufersa e participou do movimento sindical, chegando à presidência do sindicato dos servidores técnico-administrativos da instituição.
A primeira candidatura de Bezerra ocorreu em 2018, quando concorreu a deputado estadual pelo Solidariedade. Com 20.228 votos, foi eleito para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. No Legislativo, ganhou visibilidade com discursos sobre a valorização dos servidores, a defesa da Ufersa, a fiscalização do governo estadual e a necessidade de investimentos para Mossoró e os municípios do interior.
O mandato, porém, foi interrompido antes do fim. Em 2020, Bezerra deixou a Assembleia para concorrer à Prefeitura de Mossoró. O pré-candidato chegou à disputa municipal como candidato de oposição à então prefeita Rosalba Ciarlini.
Durante a campanha, apresentou-se como representante de uma nova geração e criticou a concentração do poder político em grupos familiares que haviam comandado Mossoró durante décadas.
Ele foi eleito prefeito com 65.297 votos, correspondentes a 47,52% dos válidos. Rosalba recebeu 59.034 votos, ou 42,96%. Aos 28 anos, Bezerra foi o prefeito mais jovem da história do município.
À frente da Prefeitura, Bezerra concentrou o discurso na reorganização administrativa e financeira, na modernização dos serviços públicos e na realização de obras de infraestrutura.
O ex-prefeito diz ter recebido uma administração com pagamentos atrasados, dívidas previdenciárias e despesas sem cobertura financeira. Segundo Bezerra, o município passou por um “choque de gestão”, com revisão de contratos, informatização de processos e adoção de mecanismos de transparência.
Entre as iniciativas destacadas está o programa Mossoró Digital, criado para ampliar a oferta de serviços municipais pela internet. O pré-candidato também cita investimentos em mobilidade, saúde, educação e infraestrutura urbana como parte do legado de sua administração.
Durante o período em que comandou a cidade, também assumiu a vice-presidência de Gestão Pública da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, função exercida no mandato de 2023 a 2025.
Em 2023, Allyson deixou o Solidariedade e filiou-se ao União Brasil. A mudança ocorreu durante uma cerimônia em Brasília, com a participação de dirigentes nacionais da legenda. No ano seguinte, concorreu à reeleição tendo Marcos Medeiros, do PSD, como candidato a vice-prefeito. Allyson recebeu 113.121 votos, equivalentes a 78,02% dos válidos.
O que Bezerra defende para o estado
A recuperação fiscal do Rio Grande do Norte é apresentada como uma das prioridades da candidatura. Allyson utiliza a experiência em Mossoró para defender revisão de contratos, controle das despesas, digitalização dos serviços e ampliação da capacidade de investimento.
O município teria alcançado a classificação A na avaliação da Capacidade de Pagamento, a Capag, indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para analisar a situação fiscal de estados e municípios.
O pré-candidato defende a regionalização dos atendimentos e uma maior integração entre o governo estadual e os municípios. Na educação, Bezerra se coloca como defensor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e afirma que os recursos destinados à instituição devem ser tratados como investimento, e não como despesa.
Saída da prefeitura para o Governo Estadual
Embora tenha sido eleito para comandar Mossoró até o fim de 2028, Allyson renunciou à Prefeitura em março de 2026 para concorrer ao Governo do Rio Grande do Norte. O cargo foi assumido pelo vice-prefeito Marcos Medeiros.
A pré-candidatura é apoiada pelo União Brasil e integra uma articulação que reúne partidos e lideranças de diferentes campos políticos. Allyson tenta se apresentar como um nome capaz de conciliar grupos e construir maioria na Assembleia Legislativa.
Essa movimentação, no entanto, também provocou questionamentos sobre o discurso que marcou o início de sua carreira. Em 2018 e 2020, o político criticava as chamadas oligarquias estaduais e municipais. Para a disputa de 2026, passou a dialogar com integrantes de famílias tradicionais, como os grupos Maia e Alves.
Allyson afirma que o problema não está necessariamente nas famílias ou nos partidos, mas no modelo de governo adotado. Segundo ele, as alianças não significam que será tutelado por outras lideranças, mas fazem parte da construção de governabilidade. Outro movimento da pré-campanha foi o afastamento do senador Rogério Marinho. Allyson apoiou a eleição do parlamentar em 2022 e agradeceu publicamente as emendas destinadas a Mossoró.
Em 2026, porém, passou a criticar o senador por divergências políticas e por propostas relacionadas à jornada de trabalho. Allyson defende o fim da escala 6x1 e a adoção da escala 5x2, associada a incentivos para que pequenas empresas consigam cumprir a mudança.
O ex-prefeito afirma que não mudou de posição e atribui o rompimento à conduta adotada por Rogério Marinho depois da eleição para o Senado.
Investigação sobre contratos da saúde
Durante a Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2026, Bezerra foi alvo de busca e apreensão. A investigação apura suspeitas de fraude em licitações e desvios de recursos destinados à saúde em Mossoró e outros municípios da Região Oeste.
O ex-prefeito nega ter cometido irregularidades e afirma que sua administração adotou sistemas de transparência e controle para acompanhar contratos, compras e estoques de medicamentos.
Eventuais responsabilidades individuais, segundo Bezerra, devem ser investigadas e que qualquer servidor ou gestor que tenha cometido irregularidades deve responder pelos atos. O pré-candidato também declarou confiar nas instituições e sustenta que as informações de seus aparelhos foram disponibilizadas à investigação.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



