TSE suspende campanha de Deltan Dallagnol ao Senado no Paraná
A medida proíbe o uso de recursos públicos e a veiculação de propaganda, após o ministro Floriano Azevedo Marques considerar uma decisão anterior do TRE-PR uma "afronta" ao TSE. Dallagnol tenta retornar ao cenário político após ter seu mandato de deputado federal cassado em 2023

A campanha ao Senado do candidato Deltan Dallagnol (Novo), no Paraná, foi suspensa pelo ministro Floriano Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após um pedido da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança. As coligações contam com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) entre seus membros.
O pedido de suspensão foi feito pelos advogados Eduardo Peccinin, Ângelo Ferraro, Miguel Novaes, Dylliardi Alessi, Juliana Bertholdi e Priscilla Bartolomeu.
Em decisão expedida em caráter de urgência, o ministro Floriano Azevedo Marques proibiu que Deltan Dallagnol tenha acesso e faça uso de recursos públicos, como Fundo Partidário e Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A medida também veda a veiculação e transmissão de sua propaganda eleitoral no rádio e na televisão, além da prática de outros atos de campanha eleitoral.
No último dia 9, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) havia acolhido um recurso da defesa de Dallagnol e, por 4 votos a 3, decidido permitir o registro de sua candidatura ao Senado. Contudo, segundo o ministro Floriano, a decisão do TRE-PR foi "tomada em afronta" ao TSE, "sem o mínimo respaldo jurídico" e causando "efeitos disturbadores do processo eleitoral".
"Isso porque o eleitor é livre para combinar suas escolhas, de modo que um candidato inelegível pode mudar, com os votos a ele dedicados, de forma irreversível o resultado da eleição, pois seus eleitores terão sido impedidos de fazer outra combinação de voto a seu critério", afirmou o ministro em sua decisão.
Dallagnol tenta novamente retornar ao cenário político-eleitoral após ter perdido o mandato de deputado federal em 2023, por decisão do TSE.
Na ocasião, o relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, entendeu que o então parlamentar cometeu fraude contra a Lei da Ficha Limpa quando pediu exoneração do Ministério Público Federal (MPF) 11 meses antes das eleições. À época, Dallagnol enfrentava processos internos na instituição que apuravam sua conduta como procurador da Operação Lava Jato. Esses processos poderiam levar à demissão e, consequentemente, à inelegibilidade do ex-deputado.
Deltan Dallagnol se candidatou às eleições de 2022 e o TRE aprovou o registro de candidatura. Por não haver decisão definitiva do TSE até então, ele participou da eleição, elegeu-se e assumiu o cargo. Em seguida, o caso foi julgado pelo Tribunal Superior, que cassou o registro de candidatura. A Câmara dos Deputados confirmou a decisão meses depois.
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