Pix vira alvo dos EUA em relatório que pode levar a sanções ao Brasil
Documento do governo americano cita ainda etanol, desmatamento, propriedade intelectual e corrupção para justificar medidas comerciais contra o país

O Pix entrou na mira do governo dos Estados Unidos em um relatório que reúne críticas a práticas comerciais e regulatórias do Brasil e embasa a proposta americana de sobretaxar produtos brasileiros em 25%.
Divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o documento afirma que o Banco Central favorece o Pix ao atuar ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos. Segundo o órgão americano, o modelo prejudicaria empresas concorrentes, incluindo companhias dos Estados Unidos que atuam no setor financeiro.
O relatório também sustenta que o Banco Central impõe o uso da plataforma e limita as tarifas cobradas por concorrentes privados.
O Pix é hoje o principal meio de pagamento do Brasil. Segundo dados do Banco Central, o sistema respondeu por 54,7% de todas as transações realizadas no país no segundo semestre de 2025, com 42,9 bilhões de operações no período. Em todo o ano passado, foram quase 80 bilhões de transações, movimentando R$ 35,4 trilhões.
As críticas ao sistema de pagamentos aparecem ao lado de outros temas apontados pelo governo americano como obstáculos comerciais. Entre eles estão acordos tarifários firmados pelo Brasil com países como México e Índia, além de questões relacionadas ao mercado de etanol.
Outras críticas
No caso do combustível, os Estados Unidos alegam que o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário considerado equilibrado desde 2017 e não garante reciprocidade às exportações americanas de etanol.
O documento também aborda questões ambientais. Segundo o USTR, o Brasil possui legislação para combater o desmatamento ilegal, mas falhou historicamente na aplicação das normas.
Na área digital, o órgão americano critica decisões da Justiça brasileira que determinaram a remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em plataformas de redes sociais. O relatório afirma ainda que algumas dessas ordens tiveram alcance global e foram acompanhadas de restrições à divulgação de seu conteúdo.
O texto dedica ainda um capítulo à propriedade intelectual. Entre as críticas estão a demora na análise de patentes, a atuação considerada insuficiente contra falsificação de produtos e a pirataria. Segundo o relatório, pedidos de patentes biofarmacêuticas podem levar mais de nove anos para serem analisados.
Outro ponto levantado pelo governo americano é o combate à corrupção. O USTR afirma que o Brasil não adota medidas suficientes para prevenir corrupção e suborno. O documento cita decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam processos da Operação Lava Jato, além de renegociações de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.
As críticas fazem parte do relatório que serviu de base para a proposta apresentada pelo governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
Investigação
As críticas fazem parte de uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil em julho de 2025. O procedimento, conduzido pelo USTR a pedido do presidente Donald Trump, pode resultar na adoção de tarifas ou outras medidas comerciais.
Antes de uma decisão final, o governo americano ainda realizará consultas públicas e uma audiência marcada para 6 de julho. A definição sobre possíveis sanções está prevista para até 15 de julho.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



