ICE suspende abordagens a veículos nos Estados Unidos após morte de imigrante colombiano
Decisão acontece após imagens mostrarem Joan Sebastian Guerrero estava desarmado quando foi atingido por tiros disparados por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA

O ICE — Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos — suspendeu as abordagens a veículos nas ruas de todo o país, segundo disseram fontes do governo norte-americano à imprensa local, nesta terça-feira (14). A medida institui que toda a ação seja interrompida, a não ser que haja um mandado de prisão contra alguém que esteja em um veículo. Nesses casos, a abordagem deverá ser feita com apoio de outras forças de segurança.
A decisão acontece após a divulgação das imagens que expõem um agente da corporação atirando em um imigrante na cidade de Biddeford, no Maine. A vítima foi identificada como Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, que havia autorização para trabalhar nos Estados Unidos e um número do serviço de Segurança Nacional, equivalente ao RG no Brasil.
Sobre o caso de violência, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), divulgou que o agente do ICE abriu fogo por "temer pela segurança pública", no momento em que a vítima "tentou fugir do local" em um veículo. Na primeira versão, o órgão afirmava que Joan estava armado. Mas, a versão foi desmentida pelas imagens.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, se pronunciou após a morte de Joan Sebastian Guerrero. Ele classificou caso como um "assassinato", em meio à campanha do líder estadunidense, Donald Trump, de deportações.
"O que aconteceu no Maine foi um assassinato de um colombiano latino-americano pelas mãos do governo dos EUA", escreveu Petro nas redes sociais.
Mortes por agentes do ICE em 2026

O episódio representa a segunda morte após tiros de agentes do ICE durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Na última semana, agentes de imigração mataram a tiros um homem mexicano no estado norte-americano, no Texas, durante uma abordagem.
Já no início deste ano, dois cidadãos estadunidenses também foram mortos por tiros disparados por agentes do ICE. Em um deles, Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
Semanas depois, também em Minneapolis, Alex Pretti, de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



