Julgamento de Maduro deve ser longo, aponta especialista

Maduro deve ser ouvido já nesta semana, mas o processo de julgamento será longo

Maduro foi levado para um navio de guerra dos EUA e foi transportado para Nova York

Em pronunciamento neste sábado (3) após a ofensiva na Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Nicolás Maduro e a esposa Cilia Flores serão formalmente acusados de narcoterrorismo contra os Estados Unidos e serão julgados nos EUA. Esse processo, porém, deve ser demorado.

Segundo o professor, mestre e doutor em direito constitucional, João Carlos Souto, que estuda o direito constitucional e a história política dos EUA, com ênfase na Suprema Corte, algumas coisas ainda precisam ser definidas, principalmente sobre como Maduro será tratado.

“Certamente haverá discussões no sentido de se ele é prisioneiro de guerra ou se ele é um criminoso comum, acusado de um crime comum, no caso narcotráfico, que é o que os americanos estão acusando. Narcotráfico, tráfico de armas, etc”, explicou.

De acordo com o especialista, Maduro deve ser ouvido por um juiz até quarta-feira (7). O juiz deve ler as acusações contra ele e perguntar se ele tem advogado e, caso não tenha, ele deverá constituir um defensor para o venezuelano. Haverá também o grande júri, que é uma análise preliminar do processo, o que não deve ocorrer rapidamente.

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Outros países podem ser alvos dos EUA?

Souto não acredita que outros países que têm regimes questionados pelos EUA serão alvos de ofensivas semelhantes, uma vez que a ação foi extrema e muito rara.

“Quando foi a última vez que os Estados Unidos prendeu um presidente ou um líder político e o levou para os Estados Unidos? Isso só aconteceu uma vez com [Manuel] Noriega, do Panamá, no final da década de 80, início da década de 90. Então, é muito raro. Quer dizer, para outros governantes, evidentemente que não há um perigo real imediato, não é algo que se vá fazer com frequência”, apontou.

“Essas coisas acontecem com países que não têm grande suporte internacional, que é o caso da Venezuela, que era contestado pela esmagadora, se não totalidade, dos países democráticos do mundo. Sequer o Brasil reconheceu a última eleição de Maduro. Então, não é algo que vá acontecer com qualquer país, não”, concluiu o professor.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.
Eustáquio Ramos é repórter e apresentador da Itatiaia

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